Derrotada pela pirataria


PiratariaA pirataria domina quase metade do mercado fonográfico brasileiro e, na capital do país, fez mais uma vítima. Até o final deste mês, a rede Discoteca 2001, que já foi a maior do ramo, fechará suas duas últimas lojas na cidade. Em 37 anos de vida, a empresa chegou a ter13 pontos de venda no Distrito Federal e 120 funcionários. A concorrência desleal com o mercado de falsificação, no entanto, não permitiu que ela continuasse a vender CDs e DVDs para os brasilienses. O jeito foi colocar tudo em promoção, preparar as malas e fechar as portas.

 

Além da 2001, inúmeras empresas sucumbem à pirataria no Brasil. Pelas estimativas da Associação Antipirataria Cinema e Música (APCM), a cópia irregular de CDs e DVDs provocou o fechamento de 3,5 mil pontos de venda no país e responde por uma queda de 50% no faturamento do mercado fonográfico. “Hoje, são lançados 50% menos artistas que há cinco anos”, destaca Antônio Borges, diretor-executivo da APCM. A perda da cultura nacional é o mais grave, ressalta. O prejuízo não é medido à risca, apenas estimado. Calcula-se que mil pessoas perdem o emprego no DF a cada ano por causa da falsificação dos discos e vídeos.

 

Para 97% dos consumidores adeptos da pirataria, a melhor justificativa é o preço baixo. Nas lojas, obviamente, esses produtos saem mais caro. Cada CD comprado traz embutido nele o valor do aluguel do ponto de venda, do salário dos funcionários, dos custos fixos da loja (conta de água, luz e telefone) e dos impostos que, nesse caso, chegam a 47,25% do preço final.

 

Ao se comprar um produto pirata, ao contrário, nenhum desses custos está incluído. Entretanto, o preço indireto da cópia ilegal, defendem os combatentes da falsificação, pode ser muito mais alto. “A pirataria engole empregos que contribuem para o crescimento do país e ainda afasta boas empresas e bons investidores em detrimento dos sonegadores”, argumenta André Franco Montoro Filho, presidente-executivo do Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (Etco).

 

Internet
Uma pesquisa feita pelo Instituto Datafolha a pedido da União Brasileira do Vídeo (UBV) no final do ano passado mostrou que a pirataria no Brasil já caminha por outros trajetos. Além da comercialização nos camelôs, ela conquista a internet a passos fortes. A proporção de internautas que aproveitam a rede mundial para baixar filmes e músicas ainda é pequena, de 3%, mas tende a crescer à medida que a banda larga chega a mais lares. Essas práticas são típicas do público mais jovem, solteiro e de nível superior. Desse grupo, 28% são estudantes. Nessa lista, Brasília tem a maior quantidade de usuários que baixam filmes, 12%.

 

“A pirataria na internet é nossa grande preocupação”, revela Borges. Para evitar o avanço desse crime, a APCM retira links do ar. No primeiro semestre deste ano, 161,2 mil links foram tirados da internet sob acusação de apresentar conteúdo pirata de músicas e filmes ou levar a páginas com esse tipo de material. No mesmo período do ano passado, esse número havia sido de 15,6 mil. O crescimento da repressão ultrapassa 900%, mas ainda há um imenso caminho a ser percorrido pelo Brasil. A capital da República que o diga. A cidade figura na liderança do ranking das capitais que mais compram DVDs ilegais no país. Dos 17% entrevistados que assumiram comprar vídeos piratas, 24,59% são brasilienses.


Comércio fora das regras
Pirataria prejudica a criação de postos de trabalho, a cobrança de impostos e já domina quase metade do mercado fonográfico no país.

 

A pirataria
Domina 48% do mercado fonográfico;
Responde por uma queda de 50% no faturamento do mercado fonográfico;
Levou 3,5 mil pontos de vendas legalizados a fecharem no país;
Faz o Brasil deixar de arrecadar R$ 500 milhões;
Provocou o desaparecimento de pelo menos 80 mil empregos formais;
Diminuiu em 50% o número de lançamentos de produtos nacionais e a contratação de artistas locais.

 

Apreensões*

2007

Brasil: 13.826.050 unidades
Centro-Oeste: 732.016 unidades

2008
Brasil : 21.876.723 unidades
Centro-Oeste: 532.176
Links retirados da internet*
161,2 mil em 2008
15,6 mil em 2007

 

*Dados para o primeiro semestre de cada ano

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