A nação está inviabilizada’, diz Nardes, do TCU, sobre quadro fiscal

Ministro do TCU faz alerta sobre o problema das contas públicas e defende a governança do gasto público, em evento do Correio

MINISTRO NARDES
Uma das principais medidas para resolver o problema das contas públicas, que, de acordo com os palestrantes nunca foi tão grave como atualmente, é melhorar a governança dos gastos, na avaliação de Nardes. E, nesse sentido, ele sugeriu medidas não somente visando aumentar a eficiência do funcionalismo com um quadro menor, como também a criação de mecanismos para evitar o desperdício do dinheiro do contribuinte.
“Temos mais de 15 milhões de pessoas trabalhando nos governos, sem governança, sem avaliação e sem treinamento adequado. Temos que partir para uma transformação da nação e a governança é o grande pano de fundo dessa mudança”, afirmou.  “Arrecadar nós sabemos, mas gastar, não sabemos. Jogar dinheiro na sarjeta e ao vento é a coisa mais simples e mais fácil no estado brasileiro”, alertou Nardes.
 ministro foi o relator do TCU que rejeitou as contas da ex-presidente Dilma Rousseff de 2014, abrindo caminho para o impeachment da petista. Ele citou como exemplo do descaso com o dinheiro público de governantes “as milhares de creches e UPAs (Unidade de Pronto Atendimento) abandonadas no Brasil e que consumiram bilhões de investimento público”.

Incompetência dos governantes 

Nardes também defendeu que a incompetência é a marca registrada dos governantes do país, que gastam muito e mal. “A nação está inviabilizada”, criticou, destacando que, entre 2014 e 2015, o Executivo Federal teve despesas de R$ 365 bilhões.
O ministro apontou que há uma desorganização generalizada no estado, porque não há boa governança e avaliação de desempenho das políticas públicas e de funcionários. “Arrecadar, nós sabemos. Gastar, nós não sabemos”, apontou. “Jogar dinheiro no vento é simples e fácil”, completou.
Nardes declarou que, de acordo com as auditorias feitas no TCU desde 2014, a incompetência é o que mais se caracteriza. Ele exemplificou excessos de gastos em prefeituras, refinarias e construções de creches. “Lutar a corrupção sem governança não vai modificar nada. Continua tudo igual, porque ninguém controla para onde vai o dinheiro”, disse.
“Temos que diminuir os gastos, e com certeza não aumentar os impostos, mas, sim, aumentar a eficiência”, argumentou. “Estamos numa situação de inviabilidade econômica da nação. Chegou o momento de transformar”, finalizou Nardes. O ministro encerrou o seminário destacando a necessidade do debate elogiando a iniciativa do Correio Braziliense.

Rombo de R$ 4 trilhões

Na avaliação de Nardes, o próximo presidente precisa estar consciente desses problemas e os candidatos precisam debater esse problema, assim como a reforma da Previdência, e não apenas atacar um ou outro. “Os líderes precisam estar conscientes desse papel. Cabe provocar a discussão que é pano de fundo sobre a situação de colapso se a reforma (previdenciária) não for feita agora”, destacou. Pelas contas do ministro, o tamanho do rombo da Previdência nos estados é de R$ 2,8 trilhões e o da União, incluindo os sistemas público e privado, de R$ 1,2 trilhão, em valores atuariais trazidos ao presente que juntos somam R$ 4 trilhões, mais da metade do Produto Interno Bruto (PIB) do país. “Não temos capacidade de pagar quem tem perspectiva para se aposentar no futuro porque estamos em uma situação de inviabilidade da nação”, avisou ele, acrescentando que mantém o otimismo de que algo precisa e deve ser feito e logo.
Fonte: Correio Braziliense
07/03/2018

Compartilhe