A vitória do falsiê

Por ETCO

Autor: Rosa Falcão

Fonte: Diário de Pernambuco – Economia – 16/04/2010

Os produtos piratas caíram no gosto do brasileiro. Independentemente de renda, sexo, escolaridade e classe social, a população sai em busca dos genéricos, cuja oferta é abundante na Região Metropolitana do Recife (RMR). As vedetes do consumo são CDs e DVDs, mas as roupas e os relógios de grifes pirateados também estão no topo da lista dos consumidores. O avanço do comércio ilegal é comprovado na pesquisa Consumo de produtos piratas na RMR, do Grupo de Estudos do Macroambiente Empresarial de Pernambuco (Gemepe) da Fafire. Dos 661 entrevistados em dez municípios, 82% declararam que consomem piratas às vezes e sempre. O argumento: preços em média 50% mais baixos do que o produto original.

Coordenador da pesquisa, o professor Uranilson Carvalho, diz que o estudo desmistifica a tese que o consumo de produtos piratas é exclusivo da baixa renda. Estes potenciais consumidores estão em todas as faixas salariais, em especial na classe média cuja renda varia de dois a cinco salários mínimos. “Existe um consumo pulverizado em todas as classes sociais, todos os níveis de escolaridade, entre homens e mulheres”, sintetiza. O que chama a atenção é que 51% dos entrevistados saem de casa para adquirir esses produtos.

Basta um giro pelas ruas. As carrocinhas de CDs e DVDs se espalham em todas as esquinas da cidade. Você pode levar para casa os lançamentos dos filmes antes mesmo de chegar no cinema. São três e até quatro filmes por R$ 10. É o que costuma fazer Maria José Campelo, 43, estudante de concursos públicos. “A gente compra porque é mais barato e a qualidade é a mesma. Acho que economizo pelo menos 50%. Aqui tem a vantagem de comprar, assistir o filme e depois trocar por outro por apenas R$ 1”, aponta. Ela gasta em média por mês R$ 20 com CDs e DVDs.

Torcedor do Sport, o autônomo Cláudio Gomes da Silva, 23, já teve uma camisa oficial do time do coração. Agora com a grana mais curta vai ao camelô comprar a camisa por um preço mais em conta. “Já comprei na loja por R$ 130, mas ficou muitocaro. Aqui eu compro a similar por R$ 20. Aproveito e levo outros padrões”, justifica. Cláudio acha que o consumidor ganha com a possibilidade de ter o objeto do desejo com baixo custo.

Os relógios falsiê também fazem sucesso e atraem os consumidores pelo bolso. O vigilante Felipe Cesário da Silva, 26, diz que só compra relógios no comércio ambulante. Está de olho num modelo genérico da Nike. Custa R$ 300 no camelô. Na loja sai por mais de R$ 800. “Nem entro na loja porque sei que é bem mais caro. Venho aqui e levo para mim, minha namorada e minha mãe. Até agora não tive problemas com a qualidade”.

A pesquisa mostra que 89% das pessoas entrevistadas compram os genéricos para consumo próprio e 9% para presentear os parentes. Além do fator preço mais baixo (92%), os consumidores entrevistados citam outras vantagens: praticidade (5%) e comodidade (2%). Mas sabem dos riscos. Apenas 1% considera que os produtos piratas apresentam o mesmo resultado do produto original.