Apreensão de contrabando cresce 97% nos 5 primeiros meses de 2009 no Paraná
Fonte: Extra (RJ), 20/06/2009
CURITIBA – Nos cinco primeiros meses de 2009, a Receita Federal de Londrina, no oeste do Paraná, apreendeu R$ 4,996 milhões em mercadorias contrabandeadas, piratas e veículos usados para transportar esses produtos. Esse valor é quase igual ao total apreendido durante todo o ano passado, que somou R$ 5,777 milhões. Para o delegado da Receita, Sérgio Gomes Nunes, 2009 pode ultrapassar o total registrado em 2007, ano recorde em apreensões. Naquele ano, a Receita apreendeu em R$ 13,840 milhões em mercadorias e veículos.
Em comparação com o período de janeiro a maio do ano passado, as apreensões de mercadorias cresceram 97%. Em 2009, somente em produtos contrabandeados e piratas, a Receita apreendeu R$ 3,824 milhões. Em 2008, o montante foi de R$ 1,935 milhão. Os principais produtos apreendidos são CDs e DVDs virgens, com mais de 1,350 milhão de unidades, e cigarros, com 810 mil maços.
Em relação aos valores das mercadorias, as maiores apreensões são de produtos eletrônicos, que somaram mais de R$ 1,220 milhão, e de informática, com mais de R$ 357 mil. As operações também resultaram na apreensão de 26 veículos, sendo 13 carros, dois utilitários, um caminhão, uma carreta e nove ônibus. Foram 56 pessoas presas por contrabando e descaminho.
De acordo com Nunes, os números de 2009 refletem uma mudança na forma de combate ao contrabando. Isto porque, a Receita passou a realizar operações conjuntas com a Polícia Federal (PF), Polícias Rodoviárias Estadual (PRE) e Federal (PRF) e Polícia Civil, além de investir no setor de inteligência. Este ano, foram realizadas 26 operações.
– Não restringimos os nossos trabalhos somente nas fiscalizações. Diariamente estamos levantando informações sobre o perfil dos atuais contrabandistas, pois sempre é exigido um novo método de fiscalização. O aumento da repressão gera uma mudança imediata no comportamento dos contrabandistas – comenta.
O delegado da Receita cita como exemplo dessa mudança de comportamento, a diminuição das apreensões em 2008 em relação ao ano anterior. Nunes explica que em 2007 o contrabando era realizado, principalmente, por meio de grandes comboios de ônibus. Nesse ano, a Receita apreendeu 36 ônibus, contra apenas cinco em 2008.
– Esse cenário indicou que os contrabandistas passaram a usar carros para transportar mercadoria. Com isso, eles diluíram o contrabando e as apreensões ficaram mais difíceis. Por isso, investimos no monitoramento e estudo do comportamento adotado pelas pessoas que atuam nesse segmento – explica.
Para o delegado da PF de Londrina, Evaristo Kuceki, esse trabalho conjunto mostra que a união das forças resultou em saldo positivo e indica que a repressão está no caminho certo.
Localizadas no meio do caminho entre as cidades de Guaíra e Foz do Iguaçu, principais entradas de produtos oriundos do Paraguai, e a divisa do estado de São Paulo, as rodovias da região de Londrina se transformaram em uma rota para os contrabandistas. Para o comandante da 2ª Companhia da Polícia Rodoviária Estadual (PRE), tenente Luiz Carlos Lemos Junior, que fiscaliza as PRs do Norte do Paraná, o alto valor das apreensões reflete essa questão geográfica.
– O Paraguai é grande mercado dos produtos contrabandeados. Como estamos próximos da fronteira com São Paulo, várias rotas acabam passando por Londrina. Estamos no meio do caminho, além de sermos a rota mais curta entre a fonte e o destino final das mercadorias – diz.
Segundo Lemos, as fiscalizações contra o contrabando nas rodovias estaduais é constante. E para isso a PRE conta com policiais especializados em identificar os veículos usados pelos contrabandistas.
– Temos os policiais da Ronda Ostensiva Tático Móvel (Rotam) que têm mais de 15 anos de experiência no combate ao contrabando. Assim, somos capazes de identificar veículos suspeitos e na abordagem encontrarmos fundos falsos ou mercadorias escondidas dentro de peças do veículo. É uma luta constante – comenta.
Para o comandante da PRE, nessa “luta” é importante o apoio da população, que podem denunciar qualquer tipo de atividade suspeita.
– O serviço de informação é imprescindível. Por isso, é importante a população denunciar pelos telefones 198, da PRE, e 181, da Polícia Militar. Não é preciso se identificar e contribuiu com o nosso trabalho – afirma.
RELACIONADAS


