Corte de gastos pode ajudar no crescimento

Por ETCO
30/10/2008

Fonte: Jornal do Brasil, 30/10/2008

A taxa de juros em alta atrasa o crescimento econômico. Portanto, em momentos de crise, o governo terá de apertar o cinto e cortar gastos, a fim de continuar “irrigando” a economia com mais investimentos por parte das empresas e manter o consumo em alta. É o que garantem alguns especialistas, que sugerem cortes em projetos de inovação tecnológica e modernização da máquina. Os recursos do PAC, no entanto, não devem ser mexidos.

Para Luiz Antonio Fernandes da Silva, professor de economia das Faculdades Rio Branco, o correto seria o governo não ter incentivado as valorizações salariais e contratações nos tempos de bonança. Agora, a perspectiva de crescimento diminuiu.

– O governo promove o emprego, então, seria contraditório tentar diminuir os gastos públicos com demissões – avalia Fernandes, que sugere o corte em novas tecnologias, e o PAC “é o último artifício”.

Para Fernandes, se o governo está preocupado com o crescimento, a redução da taxa de juros é o caminho para manter em alta o nível dos investimentos, do consumo e das taxas de emprego.

Gilberto Braga, professor de Economia do Ibmec-RJ, não é a favor de demissões para reduzir gastos.

– Falar em demissão nesse momento é uma atitude que gera instabilidade – acredita.

Para o economista, o governo tem de avaliar melhor a necessidade de realização de concursos públicos e contratação de pessoal.

– Selecionar melhor os gastos públicos é uma necessidade. Eles só têm aumentado nos últimos anos e não percebemos nenhuma melhoria na infra-estrutura do país – critica. – Se precisa contratar gente, contrate, mas inchar a máquina pública não estimula o crescimento.

André Franco Montoro Filho, presidente executivo do Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (Etco), tem a mesma opinião.

– Existem certos gastos que comprometem o futuro e que não devem ser realizados. A contratação de um monte de gente precisa ser revista. – ressalta o ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES). – O aumento salarial é um gasto que o governo não deve fazer. Segundo ele, se o governo gastasse menos, os juros poderiam ser menores. (C.D / L.T)