Economia informal fica estável durante crise

Por ETCO

Fonte: Valor Econômico – SP – BRASIL – 02/12/2009

Folhapress, do Rio

A queda na arrecadação e a redução da atividade econômica seguraram o crescimento da chamada economia subterrânea – produção de bens e serviços não reportada ao governo -, que mede o mercado informal e os movimentos ilegais entre os formais. Levantamento realizado pela Fundação Getulio Vargas (FGV ) e pelo Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (Etco) mostra que essa economia informal ficou praticamente estável no primeiro semestre deste ano, com expansão de apenas 1% superior à do Produto Interno Bruto (PIB).

“A carga tributária caiu no período de crise. Isso reduz o estímulo para que as atividades migrarem para a economia informal. Ao mesmo tempo, a queda do nível de atividade também reduz a demanda de bens e serviços, providos pela economia informal, diminuindo o crescimento desta”, afirmou Fernando de Holanda Barbosa, responsável pela pesquisa.

Se forem levados em conta os últimos 12 meses terminados no mês de junho, a economia subterrânea cresceu 22,5% além do PIB. “O crescimento forte, de 22,5%, é muito mais dependente do segundo semestre do ano passado, do que deste primeiro semestre, em que ela ficou praticamente com o mesmo crescimento do PIB”, comentou Barbosa.

A forte expansão da economia informal no início do agravamento da crise está ligada à falta de crédito que tomou conta do mercado. Barbosa explicou que a economia formal tem dependência direta do crédito, ao contrário da economia subterrânea. “Naquele período, a economia formal foi atingida e a subterrânea continuou crescendo como se a crise não tivesse ocorrido”, observou o economista da FGV.

A expectativa é que, à medida que a economia retome o crescimento, e a arrecadação volte a se elevar, a economia subterrânea deve voltar a se expandir. A projeção feita por Barbosa é que o mercado informal cresça um pouco mais do que o PIB em 2010.

Barbosa lembrou que, no Brasil, a economia subterrânea, normalmente, tem movimento no mesmo sentido do mercado formal. Para ele, o movimento de alta do mercado informal mostra que “algo estranho” acontece na economia brasileira.

De acordo com a pesquisa, a economia subterrânea é influenciada por quatro fatores: maior crescimento da atividade econômica formal, que gera demanda por bens e serviços informais; maior carga tributária, que incentiva migração da economia formal para a subterrânea; maior percepção da corrupção, que também contribui para o aumento da economia subterrânea; e as exportações, que têm efeito contrário, ou seja, quanto maior o volume de exportações, menor a economia subterrânea.