Mercado de trabalho em ótima fase

Por ETCO
22/04/2008

Fonte: O Estado de S. Paulo, 22/04/2008

Depois da divulgação dos dados da Fiesp, na semana passada, que comentamos no domingo, dando conta da criação de 28 mil novas vagas na indústria paulista no mês de março – número recorde, em seis anos -, tivemos as informações do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho.

Essa pesquisa mostrou que a oferta de empregos com carteira assinada, em todo o Brasil, voltou a bater recorde no mês de março, com a criação de 206,5 mil novos postos formais de trabalho. No primeiro trimestre do ano foram criados 554,4 mil empregos formais e, na comparação entre os dois períodos, de 2007 e 2008, esses são os melhores resultados desde 1992, quando os levantamentos do Caged se iniciaram.

O resultado de março foi 41% maior que o do mesmo mês do ano passado, e, no período de 12 meses encerrado em março último, foi criado, em números absolutos, 1,77 milhão de novos empregos formais.

A indústria criou em março, no País todo, 40,4 mil empregos, resultado praticamente igual ao do mesmo mês do ano passado. Mas, no primeiro trimestre, o setor acumulou 146,2 mil novos empregos formais.

O setor que mais criou empregos formais em março foi o da construção civil, com 33,4 mil novas vagas, ante 16,7 mil no mesmo mês do ano passado, o que justificou o comentário do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, de que “esse setor está bombando”.

Não parece haver a menor dúvida de que o mercado de trabalho no Brasil está passando por uma das suas melhores fases, desde que começaram a ser feitos os levantamentos sistemáticos.


Mas os dados da economia formal não dizem tudo.

Na semana passada, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) apresentou ao mercado o seu indicador sobre a chamada economia subterrânea – encomendado pelo Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (Etco) -, que cresceu no ano passado 8,7%, ante os 5,4% do PIB formal. O presidente do Etco, André Franco Montoro Filho, esclarece que o propósito é ter um indicador que permita apurar os fatores que estimulam a economia informal, a fim de traçar políticas que reduzam a informalidade.

A maior parte do crescimento da economia informal, segundo o estudo da FGV, vem sendo estimulada pelo aumento da carga tributária, ou seja, em parte é um subproduto da economia formal. Mesmo assim, contribui para o aumento do emprego e do crescimento da demanda.