Mercado informal se expande
Autor: Victor Martins
Fonte: Correio Braziliense – DF – ECONOMIA – 02/12/2009
Enquanto a crise econômica global enfraqueceu a economia, o mercado formado por empreendimentos informais seguiu trajetória contrária e se expandiu fortemente desde o último quadrimestre do ano passado. Também chamada por economistas de economia subterrânea, esse segmento informal aumentou a participação no Produto Interno Bruto (PIB, soma de tudo que é produzido no país) em 22,6% entre junho de 2008 e igual mês deste ano.
O desemprego gerado pela crise teria sido um dos motivos de fuga para a informalidade, mas não a principal motivação para a expansão do setor, segundo o economista da Fundação Getulio Vargas (FGV) Fernando Barbosa Filho. “O nível de atividade econômica relativamente elevada em que o país se manteve e uma tentativa de escapar aos encargos trabalhistas e tributários fizeram a atividade no setor aumentar”, avaliou Barbosa, que é um dos responsáveis pelo indicador sobre economia subterrânea da FGV.
Para o presidente do Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (ETCO), André Franco Montoro Filho, patrocinador do índice de economia subterrânea, os números mostram que se a informalidade se expande, “algo está errado no país”. “A economia informal desestimula empresas sérias, que geram o progresso do Brasil”, afirmou. Na pesquisa, foi tratada como economia subterrânea a produção de bens não reportados ao governo com fins de sonegar impostos (1)e contribuições à seguridade social e para evitar o cumprimento de leis e custos decorrentes de legislação.
De acordo com o economista da FGV Fernando Barbosa, o problema de crédito enfrentado pelo mundo desde a crise econômica, iniciada em setembro do ano passado, teria impactado no desempenho registrado pelos informais no último ano. “Passamos por uma crise de crédito e, como a economia subterrânea não trabalha com financiamentos, não sentiu a crise como o setor formal”, disse o economista ao justificar a queda da economia formal frente à ilegal.
1 – Fuga dos tributos
Empreendimentos informais não pagam impostos e contribuições, o que se reflete em uma arrecadação menor para o governo — recursos que deixam de ir para investimentos em infraestrutura, saúde, educação e segurança.
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