Multinacionais versus especialistas

Por ETCO
13/08/2010

Autor: Ceila Santos

Fonte: Decision Report – São Paulo/SP – SAÚDE – 13/08/2010

Não há como fugir da analogia à obrigatoriedade da Nota Fiscal Eletrônica quando se fala do Rastreamento de Medicamentos. A diferença, entretanto, não está somente no escopo da cadeia de valor que começa na produção até a venda do medicamento ao consumidor final, incluindo a dispensa e prescrição médica, odontológica e veterinária.

Rodrigo Klein, diretor de tecnologia da Interfarma, explica que o sistema de rastreamento é um tanto mais complexo que a NF-e, porque não se trata apenas de mensageria, ou transmissão de dados, mas também da necessidade de gerenciar a informação coletada e integrá-la a outros sistemas.


“Do ponto de vista do negócio, essa informação representa uma fonte importante que pode ser utilizada para o BI (Business Intelligence)”, acrescenta. Klein foi responsável pelo desenvolvimento do sistema, batizado de Total Fleck, utilizado no projeto piloto do Etco com as sete indústrias.


Ele explica que o sistema permitirá um controle mais apurado pela indústria e o dado pode ser revertido em inteligência competitiva. Essa também é a visão de Daniel Bio, gerente de desenvolvimento de negócios da SAP, que ainda ressalta a opção de o setor alcançar o retorno sobre o investimento quando adota uma solução que não visa apenas o aspecto regulatório, mas também o gerencial.


“A maioria das empresas pode simplesmente atender a obrigatoriedade sem obter nada de gerencial neste processo ou integrar essa solução ao backoffice e ter uma gestão desde entrada da matéria prima até a saída do medicamento. A vantagem é inserir cubos para obter relatórios gerenciais com interfaces amigáveis deste processo”, explica Bio.


Márcio Moreti, sócio-diretor da Active, já tem uma visão mais pragmática sobre a obrigatoriedade: “Virou lei tem que cumprir porque senão está fora do jogo. Vamos contribuir muito para a indústria porque sabemos fazer validação de acordo com as exigências do setor. E isso é negócio para especialista”.


Diante deste contexto, não há dúvida de que soluções não vão faltar para atender a nova demanda da indústria farmacêutica. E, detalhe, a tecnologia está disponível há alguns anos já que desta vez o Brasil não é vanguarda mundial como no caso da NF-e. “A SAP atrasou um pouco na entrega da solução para Nota Fiscal Eletrônica porque exigia desenvolvimento, mas no caso do rastreamento de medicamentos, a empresa já atende o mundo inteiro”, justifica Bio.

Modelo de negócio

Klein não tem dúvida de que a proposta de SaaS (Software as a Service) poderá ser uma alternativa para muitas indústrias, independente do porte da companhia. “O projeto piloto representou um pouco o modelo de serviço porque a solução estava hospedada na Diveo”, conta.


Vale ressaltar que a modalidade foi uma aposta comum que ampliou a oferta NF-e. Por outro lado, muitas empresas utilizaram o serviço somente para cumprir o prazo e planejar a migração para mensageria do sistema de gestão SAP em função do custo de manutenção da plataforma. Bio acredita que essa trajetória pode ser replicada no caso do Rastreamento de Medicamentos, principalmente, para os clientes globais.


Moreti alerta que a Active não irá atuar apenas como fornecedora de software, mas também como prestador de serviço especializado em validação. “Mais de 60% dos medicamentos passam por um software da Active no chão de fabrica do Brasil e 80% dos nossos clientes utilizam SAP. O software é apenas um pedaço da validação necessária para cumprir as exigências regulatórias”, explica.


A Active calcula um crescimento de 55% para o ano de 2009, principalmente, em função dos projetos ligados à validação de sistemas da indústria farmacêutica e a atualização da base instalada com a nova versão da solução Active, chamada Evolutio. Para 2010, a empresa deve registrar crescimento na casa dos 60% com projetos ligados à rastreabilidade de medicamentos. A SAP também almeja crescer neste segmento neste ano.


Não há dúvida de que a briga é acirrada na venda de software e envolve diversos fornecedores tanto especializados e multinacionais como também integradores. A indústria de software, entretanto, precisará lidar com a interoperabilidade dos fabricantes de coletores, leitores de código de barras, entre outros equipamentos de automação industrial.


Esse filão, aliás, compõe os principais fabricantes do Rastreamento de Medicamentos. São eles sustentarão os desafios operacionais e culturais dos ambientes do chão de fábrica, onde não mais serão controlados apenas os lotes para identificação, mas também cada medicamento. É bom lembrar que o ritmo farmacêutico trabalha com centenas de caixinhas por minuto e essa eficiência só pode ser aprimorada. Jamais, reduzida.