Brasil é campeão mundial em burocracia, revela pesquisa

Por ETCO
12/03/2008

Autor: Felipe Frisch

Fonte: O Globo, 12/03/2008

RIO – O Brasil continua a ser o campeão mundial em burocracia e isso afeta o crescimento de empresas de capital fechado, revela o International Business Report (IBR), pesquisa da Grant Thorton International, representada no Brasil pela Terco Grant Thornton. Para 64% dos 150 empresários brasileiros ouvidos na pesquisa, que no total entrevistou 7.800 executivos espalhados por 34 países, a burocracia excessiva é o maior obstáculo para o crescimento. Em 2007, 60% dos brasileiros haviam indicado a burocracia como o maior problema. A resposta do Brasil é mais do que o dobro do total dos outros países para o mesmo item: 31%. Em 2007, o resultado global para burocracia era de 37%. 
 


Para a maioria dos outros países ouvidos na pesquisa, a falta de trabalhadores capacitados é o motivo de maior preocupação para o crescimento de 37% das empresas, contra 34% em 2007. Esta é a primeira vez que as empresas se mostram mais preocupadas em encontrar trabalhadores capacitados, pois, nos últimos cinco anos, desde que o IBR começou a ser feito, a burocracia era sempre citada como o maior obstáculo para o crescimento. Os empresários brasileiros também estão começando a sentir dificuldade para contratar mão-de-obra especializada. Se em 2007 o problema foi citado por 23% dos empresários brasileiros, este ano 37% citaram esse obstáculo.
 


Os empresários brasileiros deveriam dar peso de 1 a 5 a cada um dos seis itens apresentado na pesquisa. A burocracia foi a campeã, com 64%, seguida de custos de financiamento (43%). Em segundo lugar, os custos de financiamentos (43%), seguida da falta de capital de giro (37%). A seguir, dificuldade para encontrar mão-de-obra (37%). A falta de financiamento de longo prazo por citada por 35% dos pesquisados. E, finalmente, a redução da demanda (24%). Todos os índices subiram em relação à pesquisa feita em 2007, apenas a redução de demanda se manteve idêntica. O item sobre custos do financiamento, por exemplo, passou de 36% para 43%. A falta de capital de giro, de 32% para 40%. 
 


Quando foi solicitado aos brasileiros que pontuassem cada tipo de problema ligado à burocracia e que teve impacto direto sobre o crescimento das empresas de cada um, em primeiro lugar apareceram as leis trabalhistas, com 33% das repostas. Em seguida, leis de planejamento urbano, com 21% – foi o índice mais alto entre todos os países para esta opção. Já as leis ambientais afetaram 11% dos empresários nacionais. 
 


Ao falar sobre as dificuldades das empresas em encontrar funcionários qualificados, Alex MacBeath, líder global de serviços para empresas privadas da Grant Thornton International, lembrou que, apesar da explosão demográfica mundial e de cada vez mais gente ter acesso à educação, o problema de qualificação deve se agravar. “Os resultados da pesquisa mostram que as empresas de capital fechado estão trabalhando arduamente para conquistar e manter funcionários, mas há indícios de que o recrutamento seja um problema crescente.”
 


Com relação à burocracia, além do Brasil, países como Polônia (63%), Tailândia (57%), Grécia (51%) e Itália (50%) também citaram este motivo como o maior problema para o crescimento da empresas. Já os países menos afetados pela burocracia são Canadá (9%), Suécia (10%), Estados Unidos e Grã-Bretanha (ambos com 11%).

Comparação entre 2007 e 2008 – Números do Brasil

Burocracia e regulamentações: 64% (2008) – 60% (2007)



Custos do financiamento – 43% (2008) – 36% (2007)



Falta de capital de giro – 40% (2008) – 32% (2007)



Dificuldade para contratar mão-de-obra: 37% (2008) – 23% (2007)



Falta de financiamento de longo prazo – 35% (2008) – 34% (2007)



Redução da demanda – 24% (2008) – 24% (2007)

Comparação entre 2007 e 2008 – Números globais

Dificuldade para contratar mão-de-obra: 37% (2008) – 34% (2007)



Burocracia e regulamentações: 31% (2008) – 37% (2007)



Redução da demanda – 29% (2008) – 25% (2007)



Custos do financiamento – 25% (2008) – 20% (2007)



Falta de capital de giro – 24% (2008) – 20% (2007)



Falta de financiamento de longo prazo – 20% (2008) – 17% (2007)