Cigarro com o gosto amargo do contrabando

Por ETCO
20/06/2010

Fonte: Correio do Povo – Porto Alegre/RS – 20/06/2010

Um possível corte nos ingredientes usados na confecção de cigarros baseados na variedade Burley, conforme informações das fumageiras, causaria grande mudança nas características do produto. Segundo fontes do setor, a não adição de açúcares, ameliorantes, flavorizantes e umectantes mudaria significativamente as características dos cigarros, modificando significativamente sua qualidade e diferenciação.

Com fábrica de cigarros em Santa Cruz do Sul, a Philip Morris do Brasil (PMB) tem as mesmas preocupações que as associações de fumicultores. No caso do Brasil, conforme o diretor de Assuntos Corporativos da PMB, Maurício Mendonça Jorge, a proibição no uso de ingredientes irá impedir, na prática, o uso dos fumos dos tipos Burley e Oriental na fabricação de cigarros. Por consequência, iria se tornar impossível a indústria produzir cigarros como atualmente ocorre no País. Tal proibição, segundo Mendonça Jorge, não irá beneficiar as políticas de saúde pública, mas irá provocar sérios impactos sociais e econômicos, em particular na economia da região Sul do Brasil. “Por esta razão, esperamos que o governo brasileiro se posicione contrariamente às diretrizes que estão sendo discutidas no âmbito da Convenção-Quadro de Controle do Tabaco”, afirma. A multinacional apoia uma regulamentação de tabaco abrangente e eficaz. No entanto, é contrária a medidas que impeçam adultos de comprar e utilizar produtos de tabaco e imponham “impedimentos desnecessários à operação do mercado de tabaco legítimo.”

A Souza Cruz, – que possui unidade de processamento de tabaco em Santa Cruz do Sul e fábrica de cigarros em Cachoeirinha -, também defende que a proibição pode criar a falsa ilusão de que o cigarro passaria a ser de menor risco à saúde. A multinacional informa rotineiramente à Anvisa os ingredientes usados em seus produtos de acordo com a regulamentação vigente. A empresa acredita ser importante haver uma conscientização dos órgãos regulamentadores para que seja possível estabelecer uma legislação equilibrada sobre o uso de ingredientes no beneficiamento do tabaco, o que evitaria danos à cadeia produtiva do setor.

Phillip Morris e Souza Cruz temem, ainda, pelo aumento no volume de cigarros contrabandeados no país, já que esses não cumprem nenhuma restrição. Segundo a manifestação da Souza Cruz, os produtos ilegais poderão preencher o espaço deixado pela falta de cigarros legais que atendam às preferências de gosto e aroma do consumidor brasileiro.