Contrabando fora da pauta de visita

O presidente paraguaio Horácio Cartes foi recebido com pompa em Brasília

Em visita ao Brasil, o presidente do Paraguai, Horácio Cartes, colocou o Brasil em constrangimento. Não para o presidente Michel Temer, que o recebeu e, inclusive, o homenageou com o Grande Colar da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul — a mais alta condecoração brasileira concedida a um cidadão estrangeiro. Mas, sim, um embaraço para o combate ao contrabando. O presidente paraguaio é dono da Tabacalera Del Este S.A. (Tabesa), a maior fabricante de cigarros do país vizinho e responsável pela maior quantidade de cigarros comercializados ilegalmente com o Brasil. Mais de 50% do tabaco fora da lei que entra em território brasileiro é fabricado pela empresa, assegura o Fórum Nacional contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP). Com direito a uma recepção de pompa, bandeiras com as cores do Paraguai na Esplanada dos Ministérios e passagem livre no Eixo Monumental — que permaneceu bloqueado até as 11h de ontem —, Cartes reforçou o apoio para suspender a Venezuela do Mercosul e assegurou o desejo em fortalecer os acordos bilaterais com o Brasil. Além disso, destacou o empenho em fortificar as fronteiras com o território brasileiro no combate ao crime organizado. “Temos responsabilidade quase sistemática e coordenada para vencer o crime organizado, seja onde for”.

Demagogia

O discurso, apesar de impactante, é demagogo, avalia o presidente da FNCP, Edson Vismona, também presidente do Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (ETCO). “É preciso transformar palavras em ações. O histórico que temos não me deixa nada otimista”, avaliou. Cartes assumiu a presidência do Paraguai em agosto de 2013. Desde então, o contrabando de cigarros e outros produtos paraguaios aumentou. “Somente em 2016, o contrabando de cigarros provocou perdas de R$ 6 bilhões para o Brasil. Do total, cerca de 90% veio do Paraguai”, calculou Vismona.

Evasivo, Cartes evitou conversar com a imprensa. Limitou-se a dizer que a “saúde econômica” do Brasil é importante para a economia do Paraguai. Por outro lado, Vismona reconhece que o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República e o Ministério da Justiça têm aprofundado estudos para estabelecer gabinetes de integração que assegurem mais segurança nas fronteiras.

Fonte: Jornal Correio Braziliense (22/08/2017)

 

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