Criminosos trocam mercado de entorpecentes pelo de medicamentos

Por ETCO
28/09/2010

Fonte: Ponta News – – POLICIA – 28/09/2010

“Os criminosos estão deixando a maconha, o crack, a cocaína para investir no setor farmacêutico ilícito”. A afirmação é do presidente do Conselho Regional de Farmácia (CRF), Ronaldo Abrão.

Ainda de acordo com ele, uma pesquisa revela que em todo o mundo aproximadamente 20% das farmácias e drogarias funciona clandestinamente, o que dá mais facilidade para a comercialização de medicamentos ilegais.

O mercado negro que contrabandeia ou até mesmo produz medicamentos falsificados atua principalmente naqueles produtos para disfunção erétil, mas também nos emagrecedores, abortivos, suplementos, para doenças crônicas em geral, entre outros também são visados pelos crimonosos.

Os medicamentos fora da lei são vendidos, normalmente, direto ao consumidor, academias de ginástica e até em farmácias e drogarias clandestinas ou até mesmo regularizadas. “Uma das preocupações do Conselho é que muitas vezes há um comércio ilegal dentro do estabelecimento sem o conhecimento dos clientes.


Em muitos casos, os donos também não sabem que seus profissionais estão infringindo a lei e mais: colocando em risco a vida de seus clientes. A pessoa toma com toda confiança, mas, na verdade, está tomando farinha”, alerta Ronaldo Abrão.


Segundo um levantamento do CRF, o número de intoxicação por medicamentos é superior ao registrado com animais peçonhentos e agrotóxicos. Uma observação interessante é que Mato Grosso do Sul é quase que esencialmente agrícola e mesmo assim não está no topo do ranking das intoxicações.


“Por lei, balconista não pode vender medicamento. Só pode pegar um remédio na prateleira e entregar na mão do cliente o profissional farmacêutico, caso contrário isto é exercício ilegal da profissão.

Transporte


Quando as quadrilhas contrabandeiam medicamentos, pelo ilícito da ação, acabam transportando os frascos e caixas em locais que dificilmente levantariam suspeitas de fiscais ou da própria polícia como, por exemplo, esconder em cargas de outros produtos legalizados.


Aí surge outro risco que agrava ainda mais, pois ficam fora da temperatura recomendada. Os laboratórios legalizados sempre transportam em veículos refrigerados e ainda obedecendo acondicionamento próprio.


O mau transporte não é apenas um hábito dos criminosos. A maioria das pessoas não guarda adequadamente os medicamentos, inclusive a partir do momento que saem das prateleiras.


“Imagine um cliente que compra, coloca no painel do carro (local que receber muito calor) ou na bolsa e quando chega em casa coloca em local úmido, por exemplo. Este produto já sofreu um processo de deterioramento e perda de eficácia”, diz Ronaldo Abrão.

Medidas


Para frear o contrabando de medicamentos ilícitos, o CRF fez parceria com algumas entidades e instituições como Procon, laboratórios farmacèuticos e Agência Nacional de Vigilância Sanitária para um evento na Câmara Municipal de Campo Grande, na próxima quinta-feira (30). O objetivo é debater sobre sobre medicamentos irregulares, seus riscos, como identificar um produto fraudulento, entre outros temas.

Fonte: MercosulNews