Economia informal atinge mínima em dez anos apesar do Pibinho, diz FGV

Jornal do Comércio – RS – Porto Alegre/RS – ECONOMIA – 10/07/2013

Agência O Globo

A chamada economia subterrânea, produção de bens e serviços não reportados ao governo, correspondeu a 16,6% do PIB em 2012, a menor taxa registrada em uma década. A marca foi alcançada no ano em que a economia como um todo teve alta de apenas 0,9% e representa uma queda de 0,3 ponto percentual em relação ao 2011. Em valores, somou R$ 730 bilhões, segundo estimativa divulgada nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (Etco) em conjunto com o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).

O mercado de trabalho forte, com geração de empregos formais, explica esse comportamento, segundo o pesquisador da Economia Aplicada do FGV/IBRE Fernando de Holanda Barbosa Filho. “A informalidade cai sistematicamente, mesmo em anos de crise, o que significa que institucionalmente estamos melhorando, mas as quedas menores estão sinalizando um esgotamento”, afirma.

O presidente executivo do ETCO, Roberto Abdenur, afirma, no entanto, que apesar do quadro ser positivo, o Brasil ainda está distante de níveis internacionais de informalidade, que rondam a casa dos 10%. Ele cita a burocracia, a insegurança na economia, o desconhecimento a respeito do passo a passo para se formalizar e a baixa escolaridade como fatores que também têm travado a formalização. “Com o nível atual de endividamento há uma desaceleração do crédito, o que parece indicar a tendência da taxa ficar onde está, perto de 16%”, avalia.

Barbosa Filho também considera que os sinais de esgotamento do emprego, da renda e do crédito neste ano podem impactar os próximos resultados. “A economia já não está ajudando como antes. A expansão do crédito parou, e com isso, parte do estímulo para se formalizar também. A tendência não está continuando. Precisamos de uma mudança institucional, desburocratizar e desregulamentar o mercado de trabalho, embora isso seja altamente improvável que aconteça”.

Pesquisa recentemente divulgada pelo SPC Brasil e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas mostrou que quase metade (49%) dos entrevistados não sabe o que fazer para regularizar o próprio negócio. Além disso, entre os que querem ampliar o negócio este ano, a maioria não pretende formalizá-lo porque teme a burocracia, a queda no rendimento e novos custos.

 

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