Economia subterrânea: os motivos para a queda em ritmo menor

A boa notícia é que a chamada economia subterrânea vem caindo desde 2003, como mostram os dados divulgados hoje pelo Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (ETCO) e pelo Ibre/FGV. Naquele ano, estava em 21% do PIB e, em 2012, ficou em 16,6%. Esse último dado representa uma redução de 0,3 ponto em relação a 2011. A má notícia é que nos últimos dois anos, o ritmo de queda da economia subterrânea, que capta não só a informalidade, mas também a produção de bens e serviços não reportada ao governo, que fica à margem do PIB, vem diminuindo.

O economista Fernando de Holanda Barbosa Filho, do Ibre/FGV, explica por que isso vem acontecendo:

– Essa desaceleração se deve, basicamente, ao recuo das contratações formais pela indústria e ao crescimento do setor de serviços, que é intensivo em mão de obra e está bastante dinâmico, mas tem níveis de informalidade maiores do que a indústria. Mas de um modo geral, apesar da redução do ritmo de queda do índice, o resultado ainda é positivo, pois é preciso levar em consideração que, mesmo com o baixo desempenho da economia no ano, a informalidade continua caindo – disse.

Segundo o presidente executivo do Etco, Roberto Abdenur, apesar de o governo se esforçar em criar medidas para facilitar a formalização, os níveis de adesão nos setores de comércio e serviços, onde predominam os pequenos empreendedores, ainda são muito baixos.

– Desde o fim de 2012, observa-se que o crescimento do mercado formal de trabalho atingiu seu limite em razão de dois grandes fatores: a rigidez das leis trabalhistas e o baixo nível de escolaridade do brasileiro – afirma Abdenur.

Compartilhe