Empresários de Minas são presos por sonegação de impostos na comercialização de álcool

Por ETCO
24/03/2010

Fonte: O Globo Online – Rio de Janeiro/RJ – 24/03/2010

Globo Minas

BELO HORIZONTE – A Operação “Tornado 2”, que envolve o Ministério Público e a Receita Estadual, fecharam nesta terça-feira um posto de combustíveis em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, e prenderam dois empresários suspeitos de cometerem os crimes de sonegação fiscal, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e uso de notas falsas.

A operação começou durante a parte da manhã. Duas pessoas foram presas em casa: Adenaísio Costa Dantas e Ricardo Abdulmasih. Segundo o Ministério Público Estadual, os empresários sonegavam impostos na comercialização de álcool em Minas Gerais, São Paulo e Goiás. Foram oito meses de investigação. Os escritórios foram vasculhados e as bombas com dispositivos eletrônicos que burlavam a contagem do combustível foram lacradas.

A primeira etapa da Operação “Tornado” foi realizada em setembro do ano passado, quando foram identificadas irregularidades em postos de Uberlândia, Araguari e Tupaciguara. Nesta segunda fase foram expedidos 26 mandados de busca e apreensão em sete cidades, entre elas, Uberlândia, Uberaba, Araxá, Patrocínio e Ituiutaba. Até o momento, a sonegação de impostos chega a R$28 milhões.

A ação mobilizou mais de 70 policiais militares e 55 fiscais da secretaria de Estado da Fazenda. O Ministério Público ofereceu 19 denúncias contra 24 pessoas. Entre as irregularidades: empresas não autorizadas pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) estariam retirando álcool de usinas e entregando diretamente aos postos utilizando notas fiscais frias fornecidas por uma empresa de Paulínia, no interior de São Paulo. Os bens dos empresários foram bloqueados.

Segundo o promotor de justiça Genney Randro, todas as denúncias do Ministério Público de Uberlândia por crime econômico, especialmente crime contra a ordem tributária, vêm acompanhadas de uma medida de sequestro de bens.


– Isso porque hoje nós temos não só um aspecto criminal, mas especialmente a recuperação de ativos. Ou seja, o retorno de bens adquiridos ilicitamente para que possa garantir o pagamento desses estratosféricos valores sonegados por esses grupos. Então, hoje já foi decretada a indisponibilidade não só dos bens móveis e imóveis, mas o bloqueio dos valores em todas as contas bancárias dos sócios e empresas do grupo Rede Verde – explicou.

E segundo a Receita Estadual, o combate à sonegação não para por aqui.


– O trabalho da Receita continua na questão do desenrolar da outra operação (da Tornado 1) e os documentos e mídias e arquivos magnéticos que foram apreendidos vão ser alvo de auditoria. Vão passar por uma auditoria da Receita Estadual. O resultado disso, se ficar constatado alguma irregularidade da autuação tributária, é repassado ao Ministério Público para avaliação e representação de crime contra a ordem tributária – esclareceu o superintendente regional da Receita Estadual, Gustavo Antônio dos Santos.

Ainda há um mandado de prisão a ser cumprido contra Henrique Alves da Cunha Abdulmassih, filho de Ricardo Abdulmassih, que não foi localizado.