Entidades se unem para combater tráfico na África Ocidental

Por ETCO

Fonte: UOL – SP, 09/07/2009

Nova York, 9 jul (Lusa) – A Comunidade Econômica da África Ocidental (CEDEAO), Interpol e Nações Unidas, incluindo o departamento de operações de manutenção de paz, lançaram uma iniciativa conjunta para combater o tráfico, principalmente de drogas, através de países como a Guiné-Bissau.

A Iniciativa para a Costa da África Ocidental “visa acabar com a porosidade das fronteiras da África Ocidental, com a governação frágil e corrupção, que permitem que os traficantes de droga operem num ambiente de impunidade”, afirma a pela ONU.


Segundo o estudo “Contrabando Internacional e o Império da Lei na África Ocidental – Uma Avaliação das Ameaças”, esta semana divulgado pelo departamento das Nações Unidas contra a Droga e o Crime (UNODC), o tráfico ilegal de pessoas, drogas, petróleo, tabaco, medicamentos falsos, resíduos industriais e diamantes está a tornar a África Ocidental uma mina de ouro para o crime organizado internacional.


“A África Ocidental tem tudo o que a criminalidade necessita: recursos, localização estratégica, governos fracos e um número ilimitado de soldados que vêem poucas alternativas viáveis a uma vida criminosa”, diz António Maria Costa, diretor do UNODC.


A ONU avalia que o tráfico gere receitas anuais em torno de US$ 1 bilhão. Por exemplo, os US$ 438 milhões obtidos com o contrabando de 45 milhões de comprimidos antimalária falsos ultrapassam o PIB da Guiné-Bissau.


No caso de alguns países, o valor dos tráficos supera toda a riqueza gerada oficialmente.


“Vamos focar-nos em situações pós-conflito”, sobretudo na Guiné-Bissau, Libéria, Costa do Marfim e Serra Leoa, afirma Costa.


Também a Guiné-Conacri poderá ser em breve envolvida, caso realize eleições livres e democráticas.


A ONU calcula que em 2006 um quarto da cocaína consumida na Europa (cerca de 40 toneladas) transitou pela África Ocidental.


Estes números diminuiram nos últimos 18 meses, no que é o único aspecto positivo deste relatório em relação ao contrabando ilegal nesta parte do continente africano.


Além disso, na África Ocidental, entre 50% e 60% dos medicamentos são falsos e até 80% dos cigarros são contrabandeados, estima a ONU.


Na Nigéria, cerca de 55 milhões de barris de petróleo são anualmente desviados da circulação legal e o dinheiro fruto da atividade acabam nas mãos de grupos criminosos e da guerrilha secessionista, segundo o relatório.


Na região existem 30 grupos armados e mais de dois milhões de armas sem controle, um negócio avaliado em US$ 170 milhões.