Falsificar cerveja vira uma indústria

Por ETCO

Autor: Fabrício Francis

Fonte: Jornal do Brasil, 08/11/2008

Policiais civis da Delegacia de Falsificação e Defraudação (DEF) prenderam ontem oito pessoas acusadas de falsificar bebidas alcoólicas nas cidades do Gama e Ceilândia. A operação denominada de Cevada, resultado de uma denúncia da Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF), culminou na apreensão de mais de sete mil garrafas de cervejas com tampas e rótulos falsificados e mais dois caminhões da marca Mercedes-Benz, modelo 1113.

De acordo com a delegada-chefe, Ivone Rosseto, os acusados compravam cervejas consideradas de segunda linha, por um preço médio de R$ 31 a caixa e, após adulterarem o produto, colocar rótulos e tampas de cervejas mais caras, a caixa passava a ser vendida por R$ 52, em média.


– Eles comprovam cervejas da marca Nova Skin e Glacial, retiravam seus rótulos e colocavam das marcas Skol e Antarctica. Os rótulos eram descolados das garrafas, depois de mergulharem em um tanque de água. As tampas era recolhidas na rua e nos bares da região. Eles tinham a preocupação de substituir rapidamente a tampa para evitar vazar todo o gás do produto – citou.


Rosseto disse que a polícia suspeita de novos envolvidos, inclusive, de outras cidades do DF.


– A operação não termina aqui. Estamos investigando novos locais. Não podemos adiantar quantas pessoas estão na nossa mira e nem de onde são, mas estamos investigando – adiantou.

Flagrante na colagem


A polícia prendeu em flagrante Lidiane Maria Cerqueira Chaves, 31 anos, na cidade do Gama, no momento em que ela fazia o trabalho de colagem dos rótulos. A delegada explicou que a acusada foi contratada pelo grupo para realizar este trabalho.


– Ela ganhava R$ 1,50 por cada caixa de cerveja em que conseguia mudar o rótulo – comentou a delegada.


Ivone explicou que não há informações de que o líquido também tenha sido adulterado.


– Mas, acreditamos que isso não aconteceu. Até mesmo porque se o gosto fosse modificado não conseguiriam vender o produto – disse.


Para prensar as tampas, os criminosos tiveram o cuidado de modificar uma furadeira industrial de bancada. Eles adaptaram nela algumas peças e a transformaram numa prensa.


Além de Lidiane, outro componente do grupo foi preso no Gama, Hanses Ribeiro Gasel, 40 anos, proprietário da distribuidora responsável por vender o produto naquela região.

Restante da turma


Na cidade de Ceilândia, onde parte do bando também operava, foram presos os irmãos Robson de Paiva Moreira, 30 anos e Rodrigo de Paiva Moreira, proprietários das distribuidoras Fênix e RPM, respectivamente, também responsáveis pelo repasse dos produtos em Ceilândia. Além deles, foram autuados os comparsas da quadrilha, Dione Mendes Fracássio, 28 anos, Edimar Alves dos Santos, 32 anos, Luciano Alves de Souza, 25 anos, e Márcio França da Silva, 25 anos.


A suspeita da delegada é que o grupo faturava por mês cerca de R$ 7 mil com a prática ilegal.


A delegada-chefe da DEF, explicou que a pena por adulteração de produtos alimentícios varia entre 4 e 8 anos de prisão. Além de serem enquadrados por adulteração, os criminosos presos em Ceilândia responderão também pelo crime de formação de quadrilha, pena prevista de 1 a 3 anos de reclusão. Esta é a segunda Operação Cevada do ano. A primeira aconteceu em janeiro.