Fantástico acompanha operação para prender máfia do combustível no RJ

Fonte: Fantástico, TV Globo, 5/6/2011

Para ver o vídeo da reportagem clique no link: http://fantastico.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL1664033-15605,00.html

O Fantástico mostra como a máfia dos combustíveis voltou a atacar, e dessa vez o esquema é completo. Começa na usina de álcool, passa pela distribuidora e vai parar no posto. Se o carro da sua família anda engasgando, vá logo ao mecânico, porque você pode ter enchido o tanque com combustível adulterado.

“Caí na asneira de trocar de fornecedor de combustível, e o carro começou devagarzinho a aumentar os engasgos”, conta o taxista Ricardo Torres.

Ricardo é apenas uma das milhares de vítimas da máfia dos combustíveis. A gasolina misturada com solvente destruiu o motor do carro dele. “Quem é responsável por isso? A conta vai ficar sempre pro consumidor?”, diz o taxista.

Esta semana, o Fantástico acompanhou uma mega-operação para desativar um esquema de fraudes que atingia quatro estados e o Distrito Federal. A quadrilha agia de ponta a ponta na indústria dos combustíveis: da usina de álcool até os postos.

Em Campos dos Goytacazes, cidade do norte fluminense, mais de 100 policiais de 15 delegacias especializadas saem em busca dos acusados. Em um bairro chique da cidade, os policiais prendem o morador da cobertura. Segundo os investigadores, o empresário Sérgio Soares é um dos cabeças do esquema. Ele afirma que tem dois postos atualmente. Em dois anos de investigação, a polícia descobriu que ele tem, na verdade, 12 postos. A maioria em nome de laranjas.

Em uma casa de um condomínio de luxo com dois carros importados na garagem, mais uma prisão. Paulo Bastos é diretor comercial da principal usina de Campos.

O esquema da quadrilha envolvia da usina ao posto de combustível: todas as fases da produção, distribuição e comercialização do álcool. Sem pagar imposto, garantia um lucro milionário. Segundo a polícia, as fraudes renderam aos envolvidos mais de R$ 120 milhões.

Funcionava assim: primeiro, a quadrilha tirava o álcool da usina com notas frias e depois usava distribuidoras de fachada. Resultado: o álcool chegava aos postos da máfia sem pagar imposto, bem mais barato. “Por trás desse preço baixo tem uma cadeia de crimes” explica Ângelo Ribeiro, da Delegacia Fazendário do estado do RJ.

“Formação de quadrilha, falsidade ideológica documental, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro, crime contra a saúde pública. Enfim, são diversos crimes”, enumera Isabela Santoni, da Delegacia Fazendária -RJ. “Eles passaram a fazer uso também do metanol, que é um biocombustível altamente tóxico e prejudicial à saúde, que é capaz inclusive de causar câncer”.

Os policiais comprovaram o que todo mundo sempre desconfiou: quem sonega também falsifica. O posto que está sob investigação por vender álcool sem pagar imposto tem gasolina adulterada.

O perito faz um teste na gasolina vendida como aditivada e descobre mais uma fraude: a gasolina aditivada e a comum são iguais.

Em uma conversa gravada com autorização da Justiça, o dono de um dos postos envolvidos diz ao gerente para misturar as gasolinas. “Nós vamos botar os cinco (litros) da comum dentro da aditivada. Não tem problema, não. Não dá diferença nenhuma”, diz Daniel.

Mas a quadrilha também juntava solvente à gasolina o que causa prejuízo para o motorista. o taxista Ricardo Torres reclama: “Eu vou gastar em média de R$ 5 mil nesse veículo”.

“O motor é a parte mais cara, mas eu tenho bomba de combustível estragada, bicos injetores estragados, mangueiras. Quer dizer, tudo do carro se deteriora, porque os solventes dissolvem tudo”, enumera o dono de oficina Flavio Ferraz.

“O cidadão paga aquela conta quando colocam um produto no seu carro de péssima qualidade”, aponta Ângelo Ribeiro, da Delegacia Fazendário do estado do RJ.

As prisões desta semana mostram que a máfia dos combustíveis continua em ação. Por isso, desconfie de preços muito baixos e só procure postos que sejam da sua confiança.

 

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