Grupos de pistoleiros apostam na impunidade na região

Por ETCO
30/06/2009

Autor: Waldemar Gonçalves – Russo

Fonte: Dourados Agora, 30/06/2009

Na região de fronteira seca entre o Brasil, via Mato Grosso do Sul com o território paraguaio, crimes com características de pistolagens como o ocorrido em Ponta Porã em que teve como vítima, Carlos Moreira Ferrer, de 47 anos, morto a tiros de pistola nove milímetros por volta das 22h40 de ontem, na rua Vinícius Soares do Nascimento, área central da cidade ou em Sete Quedas, em que foi vítima o policial militar Hilário Rodrigues Filho, de 40 anos, executado com 11 tiros também de pistola nove milímetros, quando estava em frente de sua casa por volta das 18h50 de ontem, são fatos tão corriqueiros para a população fronteiriça, que ela traz com ela apenas uma certeza além das mortes, a de que os autores e os supostos mandantes jamais serão identificados e punidos pela Justiça de um dos dois países.

PROFISSIONAIS DO GATILHO

Os crimes de execuções atribuídos aos pistoleiros profissionais do gatilho, que usam em sua maioria armas como pistolas calibres 9 e 380 milímetros, revólver 3,57, metralhadoras ponto 50, fuzil 7,62 e espingardas calibres 12, conhecidas por escopetas, que aconteceram e resultaram em milhares de vítimas nas últimas quatro ou mais décadas na região; são atribuídos a mando de grupos ligados ao contrabando de eletrônicos; bebidas ou de cigarros, e principalmente aos do narcotráfico, em especial aos que atuam na área de cultivo e produção de maconha ou de cocaína e pedras de crack, estes dois entorpecentes em sua maioria, procedentes dos territórios boliviano ou colombiano.
Na região os pistoleiros sempre atuando em dupla com a utilização de motos ou carros de alta velocidade para a eventual fuga ou em grupos, formados por quatro ou mais homens, eles não escolhem horário para atingir seus alvos.

Consumado as execuções, eles, os pistoleiros, fogem sem serem molestados, ou para o lado do território brasileiro ou para o lado paraguaio, dependendo é claro, numa forma de rodízio em qual destas áreas, eles consumaram o crime, e vice e versa.
Os pistoleiros sempre agem apostando na “impunidade” por parte das justiças dos dois países, bem como das ações das forças policiais que atuam na região de fronteira, e eles ao irem a buscas de suas vítimas não querem saber se elas estariam ou não próximas as seus familiares, amigos ou de testemunhas ocular.
Eles simplesmente chegam de surpresa, e sem dar qualquer oportunidade de defesa aos seus alvos, os executam com tiros de grosso calibre, a maioria deles tendo como o alvo, a região do tórax e principalmente na cabeça.

ODILON DE OLIVEIRA

Na cabeça, especialistas que atuam na região de fronteira no setor policial, judiciário entre outros, contam que existem um único objetivo nesta ação, a de que se à vítima escapar da morte, com certeza passará pelo resto da vida, com seqüelas graves, que a impediriam de denunciar os autores e supostos mandantes do atentado na qual foi alvo.

Nas execuções cometidas pelos pistoleiros, constam que eles são homens experientes e formados no trato com armas de grossos calibres, e que muitos deles seriam oriundos de força policial, bem como de ex-militares dos Exércitos; da Polícia Militar ou Civil brasileira ou ex-policiais paraguaios, entre outros, que por terem sidos exonerados por terem cometidos algum crime nas suas respectivas unidades de serviços, passam a “servir” como “pistoleiros” dos inescrupulosos “barões do narcotráfico ou do contrabando” que infestam as cidades que fazem fronteiras com os dois países.

A “impunidade” é dada aos denominados “pistoleiros profissionais” e aos “supostos mandantes” na região de fronteira entre o Brasil e o Paraguai, por várias vezes foi atribuída ao Juiz Federal Odilon de Oliveira, na maioria de suas entrevistas para os meios de comunicações, às fragilidades do sistema de segurança pública dos dois países, no combate aos criminosos.

Responsáveis por várias condenações aplicadas aos mais diversos “barões do narcotráfico ou de contrabandistas” que usam suas influências para lavar dinheiro; sonegações fiscais entre outros delitos, Odilon de Oliveira sempre teve em seu ponto de vista que se não haver uma ação conjunta, séria e radical por parte das autoridades policiais dos dois países, esta prática de crimes contra à vida, jamais será extirpada na região fronteiriça, muito embora valha ressaltar, que as maiorias das vítimas, sempre estiveram ou estariam envolvidos com um dos dois grupos do crime organizado ou quando não, com roubos ou em crimes hediondos, como latrocínio (roubo seguido de morte) estupros, vinganças, crimes passionais, seqüestros, entre outros crimes.