Mantega admite que carga tributária é elevada e ineficiente

Por ETCO
18/06/2010

Fonte: DCI – São Paulo/SP – 18/06/2010

Agência Estado



SÃO PAULO – O ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitiu, ontem, que o Brasil possui uma carga tributária elevada e ineficiente, mas disse que o governo preferiu não correr o risco de aprovar uma reforma devido à proximidade das eleições. “É sempre difícil aprovar reformas e nos deparamos com a proximidade das eleições”, disse. “Poderíamos ter um monstrengo e seria pior a emenda que o soneto”, avaliou o ministro, que participou da reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), no Itamaraty. O ministro afirmou que o governo tem feito desonerações recentemente. Em 2010, a projeção do governo é de que este alívio some R$ 53,59 bilhões. “Não foi tudo o que queríamos fazer, mas não foi mal”, afirmou.

Ele disse ainda que, apesar do aumento da arrecadação, a carga tributária tem diminuído não só para as pessoas como para as empresas. Mantega disse acreditar que o próximo governo terá uma proposta eficaz de desoneração que deverá ser acompanhada de uma reforma tributária.

O ministro falou ainda sobre o déficit em transações correntes do País e apresentou uma perspectiva positiva. De acordo com ele, a partir de 2012, a economia mundial apresentará recomposição após os efeitos da crise financeira internacional e, com isso, o Brasil deve voltar a exportar mais.

Ainda de acordo com o ministro da Fazenda, o investimento brasileiro deve crescer 20% este ano na comparação com 2009. Em especial, ele citou os recursos direcionados à infraestrutura do País. “O investimento está crescendo em patamar elevado”, enfatizou, ressaltando que a ação de estatais neste ponto tem sido fundamental quando combinada com ações do setor privado.

Apesar desse cenário otimista para a evolução dos investimentos, o ministro comentou que, em relação ao PIB, a taxa de investimentos ainda está num patamar baixo. “Mas devemos chegar a indicadores satisfatórios”, disse.

Mantega rebateu ainda críticas de que o Brasil está dando mais ênfase ao comércio exterior de produtos primários do que manufaturados. “Hoje, o que está dando mais dinheiro para o Brasil é o minério de ferro e não o setor siderúrgico”, afirmou.