Operação da Polícia Federal prende pessoas em Paulínia e mais seis cidades do Brasil

Por ETCO
02/11/2007

Fonte: Paulínia News, 02/11/2007

O ex-prefeito de Potim, João Benedito Angelieri, foi preso nesta quarta-feira numa operação da Polícia Federal contra o comércio ilegal de combustíveis. Além dele, também foram detidos os três filhos, a irmã do ex-prefeito e quatro funcionários da empresa Cana Brava, que pertenceu ao ex-prefeito. Os trabalhadores faziam o transporte do combustível quando foram detidos. De acordo com a PF, a quadrilha comercializava álcool combustível sem recolher impostos na região do Vale do Paraíba, e no Rio de Janeiro. Ao todo, sete carretas foram apreendidas.

A quadrilha atuava em pelo menos 11 cidades há cinco anos. Segundo o delegado da PF Ronaldo Guilherme Campos, o esquema funcionava da seguinte forma: empresas de transporte de combustível usavam diversas vezes a mesma nota fiscal para levar álcool anidro das empresas produtoras diretamente para postos de gasolina. Algumas dessas empresas não tinham sequer autorização da Agência Nacional do Petróleo (ANP) para fazer esse tipo de transporte.

– As notas iam e voltavam. Na segunda viagem já se tornavam notas frias – disse o delegado.

A PF acredita que o álcool anidro poderia ser utilizado para batizar gasolina e também para, depois de ser adicionado à água, ser vendido como álcool batizado.

A operação da PF foi batizada de Alquila. Foram feitas prisões nas cidades de Potim, Brotas, Presidente Prudente, Sorocaba, Indaiatuba, Paulínia e Rio de Janeiro. A empresa do ex-prefeito, a Cana Brava, já havia sido investigada em 2001 por suspeita de adulteração de combustível.

A Cana Brava divulgou uma nota afirmando que a empresa não tem conhecimento sobre o motivo da operação da PF e que já está tomando as “providências necessárias”.

Depois de apreender documentos em 21 locais diferentes a PF descobriu que a quadrilha além de usar várias vezes a mesma nota fiscal, também emitia notas falsas. O pagamento do combustível era feito por donos de postos de gasolina diretamente em contas de usineiros, sem o recolhimento de nenhum tipo de imposto.

Dois mandados de prisão temporária não puderam ser cumpridos. O Ministério Público Federal está acompanhando a operação e investiga a participação de agentes públicos na quadrilha. A PF não sabe dizer em quantos postos o combustível irregular era comercializado. Afirmou apenas que a maioria era de bandeira branca.

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