Pirata para todos os bolsos

Por ETCO
10/06/2005


Por Wagner Gomes, do Globo Online – 10/06/2005


SÃO PAULO. O consumidor brasileiro sabe diferenciar o produto original do produto pirateado e, mesmo assim, muitas vezes opta pelos falsificados para gastar menos. Além disso, o consumo desse tipo de mercadoria não se restringe aos segmentos da população menos favorecidos. Em todas as classes sociais há demanda por itens específicos. Esses dados fazem parte da pesquisa realizada pelo Ibope a pedido do Instituto Dannemann Siemsen (IDS), da Câmara de Comércio dos Estados Unidos e da Warner Bros Consumer Products.


Foram feitas 602 entrevistas com moradores da Região Metropolitana de São Paulo, com idade acima de 16 anos. Segundo a pesquisa, 43% dos consumidores que fizeram compras de produtos pirateados nos últimos 12 meses afirmaram saber diferenciar o falsificado do original, enquanto outros 16% afirmaram saber fazer esta diferenciação na maioria das vezes. A maior parte (76%) dos consumidores que compraram imitações nos últimos 12 meses afirmou ter pago menos da metade do valor do produto original.


Os produtos mais procurados no mercado pirata, segundo a pesquisa, foram roupas (11%), tênis (10%) e brinquedos (10%). Os mais ricos, pertencentes às classes A e B, afirmaram ter comprado, nos últimos 12 meses, jogos eletrônicos (15% e 17%, respectivamente), brinquedos (17% e 27%), relógios (10% e 16%) e óculos (10% e 16%). Os da classe C preferiram as roupas (21%), brinquedos (21%), tênis (17%) e relógios (16%). Já os mais pobres, das classes C e D, compraram roupas (18%), brinquedos (16%), tênis (15%) e relógios (14%).


? Como disse uma vez o chefe de operações do FBI, Jim Moody, a falsificação será o crime do século XXI. O lucro com a pirataria já é três vezes maior do que o lucro com tráfico de drogas e armas. Economiza-se dinheiro com investimentos em produtos e marketing, não há controle de qualidade e a sonegação fiscal é muito alta ? disse José Henrique Vasi Werner, conselheiro do IDS.


Segundo ele, em todo o país, a pirataria de produtos em apenas dois setores, o de roupas e o tênis, tira R$ 9 bilhões em impostos todo o ano. Este valor, explicou, seria suficiente para cobrir, por exemplo, 20% do déficit da Previdência Social. O valor equivale ainda a 40% da arrecadação anual com a CPMF. Werner afirmou que o PIB do Brasil poderia crescer bem mais se a pirataria fosse combatida no país.


Entre os entrevistados, 33% disseram comprar produtos de comerciantes ambulantes e lojas do chamado comércio informal, ao passo que 54% concordaram com a afirmação de que marcas famosas têm lucros muito grandes e não são prejudicadas pelo consumo de falsificações. Já 65% disseram acreditar que a produção e o comércio de falsificados geram empregos nos países pobres, enquanto marcas famosas gerariam apenas nos ricos.


A maior parte dos piratas importados vem da China, mas o Brasil também está se especializando em fabricar produtos falsificados. Marcus Macedo, diretor-geral da Warner Bros, disse que são comuns as fábricas têxteis especializadas em piratear roupas de marca. Os brinquedos, que necessitam de mais tecnologia de fabricação, são minoria.

RELACIONADAS