Preço de camelô
Autor: Paola Correa
Fonte: O Popular – GO, 19/12/2007
São Paulo/Folhapress
No começo do mês, o cantor Arnaldo Antunes lançou o álbum Saiba por R$ 5. O CD é uma reedição do disco de mesmo nome lançado originalmente em 2004 e sai pela gravadora Biscoito Fino, mas agora no formato SMD (sigla de Semi-Metal Disc), uma nova alternativa de reprodução musical que barateia a venda dos CDs. O produto foi criado por Ralf, da dupla Chrystian &; Ralf. A novidade vem sem encarte e com embalagem simples. No entanto, a qualidade do som é a mesma do CD convencional.
Assim como Antunes, outros artistas já adotaram a idéia e estão apostando no álbum a preços mais acessíveis. O primeiro a aderir à idéia foi o compositor Leandro Lehart. O ex-vocalista do grupo Art Popular vende seu mais recente trabalho, Mestiço, a R$ 1 nos shows. “Para vender o CD neste valor, eu abri mão dos direitos autorais e não coloco encarte”, diz Lehart. “Se você parar para pensar, percebe que o encarte é algo inútil. As pessoas colocam o CD em um disqueteira, e a caixinha acaba indo para o lixo.” Segundo o pagodeiro, apostando neste projeto, ele já vendeu 90 mil cópias de forma independente.
O gasto com a gravação do SMD varia entre R$ 1 e R$ 3. Lehart diz pagar R$ 1. Ou seja, não lucra com a venda de seu trabalho. “Hoje em dia, vender disco não dá lucro para o artista. O CD é um cartão de visita, o começo de uma relação entre o cantor e o fã”, diz.
O seu antigo grupo, Art Popular, também abraçou a idéia e, no dia 29, lança o álbum O Canto da Razão — ao Vivo. O disco vai custar R$ 5, e o DVD, R$ 10. “Nós temos a consciência de que nosso público não vai pagar R$ 20 por um CD. Acho que vender um álbum de qualidade pelo mesmo valor do que pode ser comprado no camelô é respeitar o fã”, diz o percussionista Malli.
Com selo independente, o AP Produções, o grupo também vê o disco como um divulgador e não mais como uma fonte de lucro. “As gravadoras têm impostos para pagar, e não há como baratear o disco. O caminho para o artista é oferecer um trabalho de igual qualidade, mas ganhando menos”, conta Malli. “A pirataria é um problema cultural do Brasil e só vai mudar quando houver uma lei rigorosa. Por enquanto, vamos fazendo nossa parte”, diz Lehart.
RELACIONADAS


