Preço do álcool cai em média 25% nos postos

Por ETCO

Autor: Rodrigo Kwiatkowski da Silva

Fonte: Jornal de Londrina – Londrina/PR – ECONOMIA – 31/03/2010

Rodrigo Kwiatkowski da Silva, especial para a Gazeta do Povo – Colaborou Fernando Jasper


Depois da forte alta registrada no início do ano, o álcool voltou a cair de preço e se transformou novamente na melhor opção para os motoristas de carros bicombustíveis. Após ultrapassar a casa de R$ 2,00 em fevereiro, o etanol já recuou em média 25% – e pode ser encontrado por menos de R$ 1,20 em alguns municípios paranaenses. Segundo um levantamento informal feito pela Gazeta do Povo, a cotação média em seis das maiores cidades do estado recuou 25% desde fevereiro, passando de R$ 1,93 para R$ 1,45.

O preço médio está próximo de R$ 1,30 em Curitiba e Foz do Iguaçu e, em Londrina, é de R$ 1,19. Nessas três cidades, a queda dos preços foi de mais de 30% desde fevereiro. Em Maringá, Ponta Grossa e Cascavel, o recuo foi mais fraco, entre 15% e 20%, e os preços médios oscilam entre R$ 1,59 e R$ 1,68.

Para a Associação dos Produtores de Bioenergia do Paraná (Alcopar), as razões para a queda estão na desova do estoque das distribuidoras, que tomaram essa decisão devido à iminente safra de cana-de-açúcar. “Com a nova safra, a pressão sobre o preço diminuiu. O produto estocado começou a ser vendido e houve o movimento inverso. Agora a oferta pressiona os preços para baixo”, explica o superintendente da Alcopar, Adriano da Silva Dias.

O sobe-e-desce acaba confundindo os motoristas, que reclamam da variação. “Se você for conhecedor das cidades onde vai, pode fazer o cálculo. Se não, quem viaja às cegas, se perde. É preciso fazer as contas constantemente”, afirma o professor universitário e radialista Jorge Nunes, que abastecia ontem em Ponta Grossa. A motorista Vera Almeida, por sua vez, resolveu deixar as contas para o marido. “Abasteci apenas meio tanque com álcool e vou deixar para ele ver se vale a pena completar depois ou colocar gasolina. Não sei mais se compensa ou não”, diz. Estima-se que, quando o valor do álcool fica abaixo de 70% do preço da gasolina, o derivado da cana seja mais vantajoso.

Conforme o vice-presidente do sindicato do setor varejista, o Sindicombustíveis, em Cascavel, Roberto Pelizzeti, o produto já está 40 centavos mais barato nas bombas. “Chegou a R$ 2,10 e hoje está em R$ 1,68. Estamos na expectativa das usinas, mas parece que vai ficar nessa faixa de preço”, acredita Pelizzeti. Em 40 dias, o preço na cidade havia passado de R$ 1,78 para R$ 2,10. No mês passado, numa tentativa de conter os preços do etanol, o governo reduziu a proporção de 25% para 20% de álcool na gasolina. “Na gasolina praticamente não houve variação recente. Existe uma pressão para que se retorne aos 25% na mistura de imediato, mas quem ganha com isso são os usineiros. Esperamos que o governo fique do lado do consumidor desta vez, já que a volta do porcentual anterior está prevista para 1º de maio”, diz Pelizzeti.

Sem mercado


Em algumas cidades, a venda do etanol havia praticamente zerado nas bombas, durante o aumento do preço do produto. “O preço está caindo e vai cair ainda mais. Já está compensando abastecer com álcool e os motoristas já estão voltando”, aponta o presidente do Sindicombustíveis em Ponta Grossa, Djanusi Fontini Reis.


Quando os preços do álcool estão baixos, o combustível chega a responder por 80% das vendas nos postos. No recente auge dos preços do etanol, no entanto, a gasolina chegou a responder por 90% do volume vendido. “Já tivemos um incremento de 50% a 60% na venda do álcool. Com a queda, devemos chegar entre 70% e 80%, voltando ao patamar anterior”, acredita Reis. Antes dos aumentos, o combustível custava em torno de R$ 1,50 em seu menor valor em Ponta Grossa, mas bateu em cerca de R$ 2,10 em fevereiro. Ontem, o preço médio na cidade era de R$ 1,59.


A Alcopar acredita que haverá uma estabilização nos preços nas usinas a partir dos próximos dias. “A oferta e a demanda deverão se equilibrar”, prevê Silva Dias, superintendente da associação. Ele aponta ainda que muitos postos ainda não reduziram tanto os preços por terem comprado o combustível com o valor antigo. Segundo a Alcopar, a indústria brasileira produzirá algo próximo de 27,6 bilhões de litros de etanol na safra 2010/2011, cuja colheita começou há poucos dias – cerca de 3 bilhões de litros a mais do que na safra anterior.


Se a queda no preço é um bom sinal para os consumidores, uma queda muito abrupta é sinal de irregularidades para o sindicato do setor. Em Londrina, o dirigente Durval Garcia Júnior aponta que o baixo valor do produto na bomba é fruto de sonegação fiscal. O valor do etanol em Londrina chega a R$ 1,19. “Estão todos acompanhando quem trabalha no ilícito fiscal”, dispara. “Quem trabalha com sonegação, trabalha com um preço menor. É um mercado irreal, porque quem trabalha certinho tem que acompanhar quem não paga imposto, senão não vende”, diz.