Publicidade de remédios em discussão

Por ETCO
03/03/2008

Fonte: Meio & Mensagem, 03/03/2008

As regras que delimitam a divulgação de anúncios de remédios que não necessitam de receita médica devem sofrer alterações ainda neste ano, e uma das mudanças pode impedir a presença de personalidades nas peças publicitárias da categoria. A proposta foi citada na semana passada durante o 1 Q Fórum de Propaganda e Publicidade de Medicamentos Isentos de Prescrição (MIP), que debateu também a ética dos atuais anúncios da categoria.


 


A utilização de famosos para divulgar esse tipo de remédio foi colocada em xeque por aliar o produto a uma pessoa sem capacidade para indicar um medicamento à população.


 


Outra sugestão citada no evento é o arquivamento do anúncio por um período de cinco anos pelas agências e veículos para possibilitar qualquer tipo de consulta posterior pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “Muitos anúncios estimulam o consumo e dispensam as informações básicas e elementares para os consumidores”, afirma Terezinha de Jesus Andreoli Pinto, diretora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP. Entre os principais problemas apontados pelos palestrantes nos anúncios estão a falta de clareza de informações essenciais dos produtos, frases que induzem ao consumo dos medicamentos, falta de advertências para o uso em determinada faixa etária, divulgação de propriedades que o remédio não possui e recomendações importantes colocadas em letras minúsculas, que dificultam a leitura.


 


Em sua apresentação, Marcelo Polacow Bisson, do Conselho Federal de Farmácia (CFF), comentou um estudo realizado pela Anvisa com cem peças publicitárias de medicamentos isentos de prescrição. E a conclusão é que todas desconsideravam um ou mais artigos da Resolução RDC nº 102/00 – última regra a delimitar o setor – e cuja média foi de 4,13 erros por anúncio. “O comportamento das empresas é fator determinante na construção de um bom ambiente de negócios. E ser ético deve ser a primeira responsabilidade social de uma companhia”, afirma André Franco Montoro Filho, presidente executivo do Instituto Etco.


 


O evento foi realizado pela Associação Brasileira da Indústria de Medicamentos Isentos de Prescrição (Abimip) – entidade que congrega 22 empresas do setor que representam cerca de 85% do mercado brasileiro de MIP e 30% do mercado farmacêutico total-, em parceria com a Gerência de Propaganda (GPROP) da Anvisa.


 


As empresas que produzem medicamentos isentos de prescrição investiram um total de R$ 863 milhões em publicidade no ano passado, quantia que supera em 15% o valor de 2006. Na divisão entre as mídias, a TV aberta foi a que mais absorveu o montante, com 75%. Na seqüência vieram rádio (14%), TV por assinatura e revista (ambas com 5%) e jornal (1 %). Entre os segmentos da indústria que mais investiram estão o de gripes e resfriados (R$ 190 milhões), aparelho digestivo (R$ 16 7 milhões) e dores (R$ 163 milhões). (FS)