Um novo binômio do mal
Publicada no Jornal do Brasil Online – 14/10/2004
Quase metade da meta de empregos de Lula candidato poderia ter sido atingida este ano – 4,5 milhões de vagas, não abertas por culpada pirataria. O dado assustador foi revelado ontem por Orlando Diniz, presidente da Fecomércio-RJ. É projeção feita a partir de levantamento do Sindicato dos Fiscais da Fazenda que estimou ter o Brasil, em 2002, deixado de recolher US$ 10 milhões em impostos e de gerar 1,5 milhão de novos postos de trabalho formal por causa do contrabando. Este ano, o rombo na arrecadação será de US$ 30 milhões. Diniz comparou a escalada da pirataria e do contrabando à do narcotráfico:
-Informática, brinquedos e tecidos têm perdas anuais de US$ 15 bilhões. No mercado de CDs, o Brasil ocupa o segundo lugar, com 70% das vendas piratas. Fora o risco de vida, com medicamentos e autopeças falsificados. A união espúria de poderosos grupos criminosos internacionais com delinqüentes nacionais assume proporções perigosas, como ocorreu com o narcotráfico, que começou na periferia, galgou ambientes requintados e hoje enfrenta a segurança pública e afronta a sociedade a qualquer hora e sem temor. A simbiose pirataria-tráfico de drogas, já identificada pela inteligência policial é um novo binômio do mal.
Campanha educacional, redução da vulnerabilidade de portos, aeroportos e fronteiras e melhora da legislação foram sugeridos pelos palestrantes, entre eles Emerson Kapaz, antigo combatente da causa através do seu Instituto de Ética Concorrencial. O empresário sugeriu e o governo encampou, através de Medida Provisória editada em 1º de outubro, a criação de um Conselho Nacional, composto por ministérios, polícias federal e rodoviária e representantes da sociedade. Só falta o Ministério da Justiça regulamentar seu funcionamento em decreto para que comece a funcionar.
Com José Fonseca Filho e Luciana Rangel
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