Colaboração e comunicação são essenciais na implantação de programas de compliance nas empresas

Profissionais de compliance atuantes em empresas associadas ao ETCO reuniram-se na última terça-feira (23) na sede do Instituto, em São Paulo (SP), para discutir como aprimorar os programas de integridade de suas organizações. O workshop, coordenado pelo ETCO, foi conduzido pelo Chief Operating Officer da Create.org, Craig Moss.

Em sua segunda visita ao Brasil, o especialista diz acreditar que há crescente interesse das organizações aqui instaladas no aprimoramento de práticas de compliance. Esse interesse tem sido ainda mais motivado pela entrada em vigor da Lei Anticorrupção (12.846/13), em janeiro, e também pela crescente internacionalização das empresas, que em outros mercados têm de seguir marcos similares, como o FCPA (Estados Unidos) e o UK Bribery Act (Reino Unido).

Para o executivo, uma das chaves para reduzir o custo da implementação de programas de compliance é coletar subsídios de todos os departamentos da empresa antes da elaboração dos códigos de conduta. O RH também deve ser envolvido. Esse departamento tem uma expertise na comunicação com empregados que deve ser utilizada durante toda a implantação, entende o especialista. Craig ressalta ainda que o comprometimento da alta direção com o programa é essencial para sua aceitação na organização. Só então deve ter início a criação dos códigos de conduta, que é, geralmente, a primeira iniciativa das empresas.

Craig observa que o maior desafio nessa fase é fazer um código de conduta que se traduza em procedimentos fáceis de ser seguidos por qualquer pessoa. “É com base nesses procedimentos que serão elaborados os treinamentos dos funcionários, cujo registro e realização devem ser frequentes. Só assim uma política anticorrupção será viva. Conheço companhias no mundo todo que têm boas políticas de compliance, com reconhecimento por seus CEOs da importância delas, mas nada além disso. Então não conseguem ter programas efetivos”, diz.

Outro ponto importante é a realização de uma boa análise de riscos, especialmente quando a empresa depende de uma cadeia de fornecedores muito grande. “Se você tem mil fornecedores para controlar, nunca vai conseguir prestar atenção em todos ao mesmo tempo. Então precisa alocar seus recursos onde o risco é maior, fazendo sempre um programa condizente com o tamanho da sua empresa”, diz Moss.

O especialista acredita que o compliance deve ser visto pelas organizações como uma “jornada”. Problemas podem ocorrer mesmo em empresas com programas já estruturados. Durante o workshop, Moss citou casos de diversas organizações, e destacou o do Morgan Stanley, envolvido em 2012 num esquema de suborno na China. O banco de investimentos conseguiu provar na Justiça americana que tinha feito tudo a seu alcance para coibir fraudes internas e, dessa forma, foi inocentado das acusações e de multas milionárias.

Durante o evento, os participantes puderam fazer ainda uma autoavaliação de seus respectivos programas de compliance. “Leva tempo para avançar sistematicamente em cada um dos passos, mas cada empresa tem sua própria necessidade. É preciso saber o que cada uma precisa”, diz Craig. Ele garante que mesmo empresas de porte médio podem ter um compliance eficiente. “Não precisa ser complicado nem extremamente tecnológico. Só deve ser funcional.”

Confira abaixo os materiais da Create.org:

Compliance Anticorrupção: reduza seus riscos

Guia para melhorar seu programa Anticorrupção

Proteção da Propriedade Intelectual e Prevenção da Corrupção: uma nova abordagem

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