Economia subterrânea deve parar de cair em 2012

Com previsão de crescimento econômico entre 3 e 3,5%, o que, aliado a possíveis impactos da crise europeia, deve reduzir o aquecimento do mercado de trabalho e restringir o ritmo de expansão do crédito, o ano de 2012 aponta para uma estagnação na redução da economia subterrânea observada em 2011.

No ano passado o Brasil manteve uma economia forte e um cenário que estimulava a formalização do emprego diante da necessidade de acesso ao crédito. Mais crédito significa mais dinheiro na economia formal. Para Fernando de Holanda Barbosa Filho, pesquisador do Ibre/FGV e responsável pela elaboração do Índice de Economia Subterrânea, esse cenário favoreceu a queda observada em 2011.

Em sua análise, baseada nos resultados do Índice de Economia Subterrânea divulgados em dezembro de 2011 (que caiu para 17,2% do PIB, ante os 21% de 2003), ele reafirmou que a necessidade de acesso ao crédito continuava sendo o maior motivador da formalização do emprego por parte dos empregados. “Já para os empregadores, além do acesso ao crédito, outro fator de influência foi a melhoria do nível de atividade do País”, avalia Barbosa Filho.

As previsões para 2012, entretanto, apontam para um cenário bastante mais conservador. Para o ex-ministro da Fazenda Marcílio Marques Moreira, presidente do Conselho Consultivo do ETCO, o crescimento do PIB brasileiro deve ser de 3,5% este ano. “Existe o risco de uma piora no panorama mundial, sobretudo se um ou vários países da Europa entrarem em parafuso”, ressalta.

Para Barbosa Filho, “2012 deve ser um ano de estagnação da redução da economia subterrânea, pois devemos ter um período com crescimento econômico e mercado de trabalho e de crédito mais estáveis, o que deve implicar em uma redução no crescimento da formalização de nossa economia”. Ele aponta como principais fatores a restrição do ritmo de expansão do crédito – em consequência da crise europeia -, e a redução do aquecimento do mercado de trabalho, com desemprego no mínimo histórico, já que, para ele, apesar das medidas adotadas pelo governo, o crescimento da economia deve ser, na melhor das hipóteses, na casa dos 3%.  “A produtividade está crescendo muito pouco em nossa economia”, afirma.

Marcílio Marques Moreira ressalta que, além da falta de produtividade, existe ainda a baixa competitividade e inovação da indústria, além da ausência de uma orientação mais aberta a programas de pesquisa e desenvolvimento. “Cabe ao governo, à indústria e também à própria sociedade mudar essa situação”, avalia.

O presidente-executivo do ETCO, Roberto Abdenur, concorda com o ex-ministro. Para ele, a modernização institucional do Brasil é a pedra fundamental para que o País se estruture de forma a chegar aos padrões de Primeiro Mundo, em que o Índice de Economia Subterrânea não passe dos 10% do PIB. “É dever dos poderes públicos, autoridades e de toda a sociedade, manter um olhar crítico e constante sobre essa questão”, conclui Abdenur.

Compartilhe