Economia Subterrânea do Brasil atinge R$ 663 bilhões

Por ETCO
30/06/2011

Atualizado com os resultados de 2010, estudo aponta volume da economia subterrânea na casa dos R$ 663 bilhões, ou, 18,3% do PIB nacional

No dia 28 de junho, o ETCO e o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (IBRE/FGV) divulgaram, mais uma vez, o Índice da Economia Subterrânea, que trouxe a estimativa para 2010, atualizada com os resultados do ano (PIB, inflação) e confirmou a tendência de estabilização dos valores gerados pela informalidade já apontada em novembro do ano passado. Depois de passar 5 anos – entre 2003 e 2008 – crescendo menos do que o PIB, a curva da relação do Índice com o PIB parou de cair, mostrando uma tendência de estabilização na casa dos 18,3%. Isso significa que, nos últimos três anos, a Economia Subterrânea cresce na mesma proporção que o Produto Interno Bruto Brasileiro.

Do ponto de vista de valores absolutos a análise dos resultados apresentou ainda um ligeiro crescimento em relação à previsão feita em novembro: R$ 663 bilhões são produzidos na Economia Subterrânea brasileira, que compreende o conjunto de atividades relativas à produção de bens e serviços deliberadamente não reportada aos governos. Em novembro de 2010, a previsão era de R$ 656 bilhões.

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Fonte: IBRE/FGV e ETCO

Segundo Fernando de Holanda Barbosa Filho, pesquisador do Ibre/FGV e responsável pelo estudo, “as pequenas variações observadas nos três últimos anos mostram uma redução gradual e consistente, mas não refletem uma queda relevante da economia subterrânea no Brasil”

Já para Roberto Abdenur, presidente executivo do ETCO “o Índice de Economia Subterrânea convoca a sociedade e os poderes públicos a uma reflexão sobre as razões dos atuais resultados, principalmente levando em consideração o processo de modernização do País, que, sem dúvida, não pode conviver com mais de   R$ 663 bilhões gerados à margem da economia formal”.

Em sua avaliação, “é possível detectar que, paralelamente ao salutar avanço da economia brasileira – que vem passando por um processo de modernização institucional e aumento de consumo de bens e serviços, graças ao crescimento da renda – a aquisição dos produtos gerados na economia subterrânea também tem, infelizmente, crescido na mesma proporção”.

A informalidade, além de suas relações com o crime organizado e de precarizar as relações de trabalho, traz prejuízos diretos para a sociedade, cria um ambiente de transgressão, e estimula o comportamento econômico oportunista, com queda na qualidade do investimento e redução do potencial de crescimento da economia brasileira. Além disso, provoca a redução de recursos governamentais destinados a programas sociais e a investimentos em infraestrutura.