MPSC divulga nomes de 11 empresas envolvidas em adulteração do leite

 

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) divulgou os nomes das empresas envolvidas na investigação  ‘Leite adulterado III’, que apura fraude e adulteração do leite revendido para consumo humanos no estado e também no Rio Grande do Sul. De acordo com o órgão, 11 empresas, entre laticínios, agropecuárias e cooperativas “estão envolvidas na venda dos produtos químicos, transporte ou na adulteração direta do leite nas propriedades rurais e distribuidoras investigadas”.

Os nomes das organizações envolvidas foram divulgados no site do MPSC. Segundo o órgão, os estabelecimentos ficam sediados em Cordilheira Alta, Coronel Freitas, Formosa do Sul, Santa Terezinha do Progresso e São Bernardino, no Oeste catarinense, e em Iraí, no Rio Grande Sul.

Segundo o promotor Simão Baram Júnior, da comarca de Justiça de Xaxim, que também trabalha no caso, as empresas verificadas realizaram adição de sódio puro, soda cáustica, citrato e peróxido sódio ao leite. Os produtos químicos, com alto teor tóxico, alteravam a acidez e o pH da bebida.

nA SEGUNDA-FEIRA (20), O Grupo de Atuação Especial no Combato ao Crime Organização (GAECO) prendeu preventivamente 16 pessoas, em Santa Catarina, no Rio Grande do Sul e uma no paraná. Também foram cumpridos 21 mandados de busca e apreensão em unidades industriais, residências e propriedades rurais.

Donos, gerentes de laticínios e funcionários de transportadoras são suspeitos de fraudar a qualidade do leite cru adicionando produtos químicos, que maquiavam a validade original.

Segundo o promotor de justiça Carlos Alberto Galdino, da comarca de Quilombo, responsável por expedir os mandados de prisão, todas as 16 pessoas continuavam detidas até a manhã desta quarta-feira (22). Destas, 15 estavao presas no Presídio Regional de Chapecó e uma estava em processo de transferência de Cascavel, no Paraná, para Chapecó.

 

A adulteração de leite é investigada há seis meses e conta com apoio de fiscais agropecuários do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa/SIF). Segundo o promotor Fabiano Baldissarelli, além da adulteração de leite já foram identificados “indícios de fraude tributária, documentação falsa e até uso de ‘laranjas’ por parte de empresas envolvidas”. Ele ressalta que o foco dos trabalhos é investigar “fraudes praticadas por transportadores, laticínios e queijarias”.

Desde segunda-feira, já foram tomados depoimentos de detidos, testemunhas e outros envolvidos. O prazo para conclusão do inquérito é 10 dias. Depois, ele será entregue ao Ministério da Agricultura, que poderá “tomar as medidas cabíveis, como interdição das instituições, rastreabilidade dos produtos ou mesmo o ‘recall’ do leite e derivados”, informou o MPSC.

Outras duas operações

Esta investigação leva o nome de ‘Leite Adulterado III’ e dá continuidade a um trabalho iniciado há seis meses. Em 19 de agosto, foram realizadas as operações ‘Leite Adulterado I’ e ‘Leite Adulterado II’, nas quais 48 pessoas foram indiciadas. Destas, 22 foram detidas. Elas tinham envolvimento com duas empresas de laticínios investigadas pelo MPSC: Mondaí Ltda, em Mondaí, e Lajeado Grande, em Ponte Serrada e Lajeado Grande. Nas amostras de leite coletadas nas empresas, havia um número excessivo de bactérias e presença de substâncias químicas proibidas, como água oxigenada e soda cáustica.

Conforme as denúncias, eram misturados produtos químicos ao leite para mascarar o prazo de validade e aumentar a rentabilidade. As perícias químicas detectaram peróxido de hidrogênio (água oxigenada), citrato de sódio, polifosfato, hidróxido de sódio (soda cáustica), e outros, como a adição de água e soro de leite.

A carga bacteriana nos leites adulterados passava do padrão aceito pelo Ministério da Agricultura. Em testes com amostras de uma das empresas, cerca de 2 milhões de bactérias foram encontradas por mililitro de leite, quando o número máximo aceito pela entidade é de 300 mil.

No dia 19 de agosto, quatro lotes (54, 59, 67 e 71) da Mondaí foram retirados de circulação. Antes, no dia 12 do mesmo mês, a Vigilância Sanitária de Santa Catarina determinou a retirada do mercado do leite UHT integral da Lajeado Grande fabricado em 7 de junho de 2014. O produto era vendido para grandes indústrias no Paraná e São Paulo.

Fonte: G1.globo.com – 22/10

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