Museu de falsificações ajuda a “conscientizar” consumidores na Tailândia

UOL – 24/07/2011

Bangcoc, 24 jul (EFE).- A maioria dos museus exibe objetos únicos, valiosos e insubstituíveis, mas na capital da Tailândia, uma grande potência exportadora de produtos piratas, não poderia faltar um sobre plágio e falsificações com os artigos mais curiosos.

O museu, que existe há 20 anos, abriga cerca de 3.500 produtos, desde artigos comuns vindos de qualquer loja do mundo, como camisetas, cintos e perfumes, até os mais chamativos, como guitarras, aros de rodas de carro e de motocicletas prontas para circular nas ruas.

Os objetos originais e as falsificações se misturam ao longo da sala de exposições, distinguidos apenas por um rótulo que identifica o real – “g” – e a cópia – “f”.

O objetivo deste “museu das cópias”, criado por uma empresa de advocacia, é “conscientizar” os visitantes sobre a importância de preservar os direitos da propriedade intelectual.

“Para as companhias, o mais importante é sua marca, seu selo de apresentação. Por isso, não querem que sejam relacionadas com artigos de qualidade inferior”, disse à Agência Efe a advogada Clemence Gautier durante uma visita guiada.

O escritório de advogados organiza passeios nos quais não só tenta “educar” as crianças, como também oferece um “treinamento” para policiais e juízes para que aprendam a diferenciar as cópias dos itens legítimos.

Com a expansão de internet, a venda de falsificações se multiplicou, especialmente a de remédios para prevenir a disfunção erétil.

“As pessoas, por vergonha, não compram Viagra na farmácia, então preferem comprar pela internet, anonimamente”, afirmou Clemence.

Segundo os dados apresentados pela firma, estima-se que 50% das vendas pela internet sejam de objetos falsificados.

Com a universalização da “rede de redes”, “há uma mudança de mentalidade voltada para a gratuidade” de música, videogames e demais programas, o que muitas companhias atribuem à crise e ao atual modelo comercial.

A ideia deste museu nasceu em 1989 quando o advogado David Lyman esteva em Hong Kong e comprou 100 produtos pirateados “mal feitos”.

“Países do sudeste asiático, como Tailândia, Vietnã e Camboja, e do leste da Europa estão se transformando em fábricas destes artigos, relegando à China a uma segunda posição”, disse Clemence.

A advogada explicou ainda que “o gigante asiático está começando a cooperar na luta” contra apirataria “porque está endurecendo sua política de proteção à propriedade intelectual”.

Segundo ela, a rapidez dessa indústria da falsificação é tamanha que, quando uma marca se torna famosa, “no dia seguinte já é possível encontrar nas ruas os produtos pirateados”.

Clemence também apontou objetos pouco valiosos, como lápis, borracha, grampo e calculadoras como alguns dos mais falsificados. “É muito menos perigoso trabalhar com estes produtos do que com remédios e cosméticos, pois não entram na esfera de crimes contra a saúde pública”, afirmou, em frente a uma loja de artigos de papelaria.

Além de assuntos comerciais, a criação de falsificações está relacionada à violação dos direitos humanos.

“Nas fábricas de produtos pirateados, os funcionários não têm nenhum tipo de proteção, e em muitos casos há crianças trabalhando nelas”, disseram fontes da firma de advocacia.

Países em desenvolvimento como Brasil, Tailândia e Índia são o principal mercado para estes artigos piratas.

“Os aumentos de demanda e oferta de objetos falsificados são evidentes nas ruas”, afirmou a advogada.

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