“O crime agradece” é o lema da campanha que alerta: aumento de impostos é um grande incentivo para o contrabando

Em São Paulo, o líder do mercado de cigarros é contrabandeado do Paraguai

 

imposto-cresce-_-400x400São Paulo, 16 de maio de 2016 – O Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP), lança uma campanha inédita para alertar a população e autoridades sobre a relação entre o aumento de impostos e incentivo ao crime organizado e ao contrabando de cigarros. A cada novo aumento na taxação sobre esse produto, o similar contrabandeado do Paraguai fica mais competitivo e rentável para as facções criminosas. Estes grupos, com o lucro obtido com as vendas do cigarro contrabandeado financiam as atividades de tráfico de drogas e armas, roubo de cargas e de automóveis.

A campanha, que também inclui a hashtag #impostocrescecrimeagradece, tem a participação dos atores Jackson Antunes e Caco Ciocler, e será veiculada na televisão e na internet. Produzido pela agência VitóriaCI, os filmes trazem também um depoimento, extraído de documentário produzido pela jornalista Adriana Bittar, de um contrabandista que, sob a condição do anonimato, explica que o crime tem comemorado os sucessivos aumentos de impostos sobre o cigarro e que os pontos de venda se multiplicam, vendendo cigarros ilegais. “O crime agradece” é o mote utilizado para chamar atenção da relação direta entre o aumento dos impostos e a escalada da violência.

“Em São Paulo, o crime organizado lava dinheiro e se financia com recursos do contrabando de cigarros. O dinheiro serve para manter os líderes da facção criminosa na cadeia e ativar o tráfico de armas e drogas, além de outras atividades ilícitas”, afirma Edson Vismona, presidente do Fórum. Segundo ele, é preciso acabar com a visão romântica de que o contrabando é um “crime menor” e com a antiga imagem dos “sacoleiros” que traziam mercadorias do Paraguai para revender nas grandes cidades brasileiras. “O contrabando de cigarros alia alta rentabilidade com baixo risco, ideal para o crime organizado. O dinheiro levantado com a venda de cigarros paraguaios movimenta uma cifra bilionária e financia muitas outras atividades criminosas, inclusive corrupção e assassinatos”, complementa o líder do FNCP.

Foi justamente São Paulo o estado a promover o mais recente movimento de alta na taxação do cigarro. O aumento nas alíquotas de ICMS sobre o cigarro de 25% para 32% entrou em vigor em maio e já vem estimulando ainda mais o contrabando do produto. Desde 2010, quando houve o aumento nas alíquotas do IPI para cigarros, a participação dos produtos contrabandeados no estado de São Paulo subiu de 23% para 41% em 2015. Com o recente aumento na alíquota do ICMS em São Paulo, a participação do contrabando deverá chegar, ainda neste ano, a 62% do total. Nos últimos três anos, São Paulo passou a ter o maior volume de cigarros contrabandeado do Brasil, assumindo a condição de centro de distribuição para o todo o país. O cigarro Eight, do Paraguai, é o líder de mercado no estado com 22% de Market share. Atualmente a média de impostos para o setor no Brasil já ultrapassa o escorchante porcentual de 80%.

Somente em 2015, o crime de contrabando causou prejuízos de R$ 115 bilhões ao Brasil, 15% a mais do que no ano anterior. Este valor engloba as perdas sofridas pela indústria nacional e a sonegação de impostos, cortando investimentos, como aqueles voltados à segurança e saúde pública.

Para assistir à campanha, acesse www.fncp.org.br/impostocrescecrimeagradece/

O Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP) é uma associação civil, sem fins lucrativos, formada em 2006 por entidades setoriais empresariais, empresas e sindicatos, entre elas o ETCO. É a maior associação brasileira com foco exclusivo no combate à ilegalidade.

 

 

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