São Paulo não dá trégua ao comércio ilegal

Depois de um ano de intensa atividade, com mais de 37 milhões de produtos ilegais apreendidos em 67 operações coordenadas pelo Gabinete de Segurança e pela Secretaria Municipal de Segurança Urbana, a cidade de São Paulo demonstra a importância de manter o ritmo para desarticular com efetividade as investidas do crime organizado que está por trás do comércio ilegal.

Os números consolidados das operações realizadas em São Paulo no âmbito do Programa Cidade Livre de Pirataria, coordenadas pelo Gabinete de Segurança e pela Secretaria Municipal de Segurança Urbana, não deixam dúvidas quanto ao tamanho da ilegalidade que se instalou na cidade e no País. Entre dezembro de 2010 e janeiro de 2011, foram apreendidos 37 milhões de produtos ilegais, avaliados em R$ 1,9 bilhão, em 67 operações em grandes estabelecimentos e shoppings. Além disso, foram apreendidos 20 milhões de produtos irregulares, incluindo os falsificados, em ações do comércio ilegal nas ruas realizadas pelas subprefeituras com apoio da Operação Delegada e da GCM.

Apesar desses importantes resultados, bastaram apenas duas operações, em janeiro deste ano, para se perceber a capacidade de articulação dos agentes do comércio ilegal. Em 24 de janeiro, na primeira operação do ano, realizada no Shopping Pamplona, na Avenida Paulista, foram vistoriadas 12 lojas e, em apenas uma tarde, apreendidos quatro mil produtos falsificados e ilegais, predominando relógios, vestuários e óculos.

Dois dias depois, foi iniciada uma nova operação no Shopping Galeria Family, localizado no Brás, ao lado da Feira da Madrugada. Nesta, os números, ainda parciais, foram bem mais significativos: em 34 lojas vistoriadas, 46 mil produtos de pirataria apreendidos, além de quatro estrangeiros terem sido conduzidos à Polícia Federal por estarem ilegalmente no País. O término da operação dependerá do andamento dos trabalhos de fiscalização dos organismos do Gabinete de Segurança e do volume de apreensões que forem feitas, mas para se ter uma ideia do volume potencial de produtos ilegais, o local conta com 230 lojas, das quais apenas 34 foram vistoriadas até agora.

“Trata-se de uma questão extremamente grave, pois mostra o quanto é necessário esforço para desarticular esses verdadeiros profissionais do crime, que, em pouco tempo, conseguem reestruturar seus ‘negócios’ e atuar novamente”, avalia Roberto Abdenur, presidente-executivo do ETCO.

Abdenur ressalta, ainda, que a via repressiva é apenas uma das possíveis formas de combater as irregularidades. Educação e conscientização da população; melhoria das condições de fiscalização pelos agentes municipais, estaduais e federais; revisão das regras tributárias do País e maior celeridade no sistema judiciário são, para ele, várias faces de uma mesma questão. “Não podemos ficar à espera de milagres, mas sim atuar com mais firmeza, como vem fazendo a Prefeitura de São Paulo, nas esferas que nos competem”, conclui.

 

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