Procurador-geral de Justiça fala sobre ética durante 62º Encat, promovido pela Secretaria da Fazenda e que contou com o apoio do ETCO

O procurador-geral de Justiça, Alfredo Gaspar de Mendonça Neto, foi um dos palestrantes na 62ª edição do Encontro Nacional de Coordenadores e Administradores Tributários Estaduais (Encat), promovido pela Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz), na manhã desta quinta-feira (05), no auditório do Hotel Jatiúca, em Maceió. O chefe do Ministério Público Estadual (MPE/AL) foi convidado para fazer explanação sobre Ètica, tema que defende como imprescindível para combater a corrupção.

Em seu discurso, Alfredo Gaspar foi enfático no tocante à realidade desastrosa em que vive o Brasil lembrando que cabe a cada cidadão reagir para buscar uma reversão da triste realidade nacional.

“O Brasil precisa muito menos de teoria ética e muito mais de decência e moralidade na prática., afirma o procurador- geral.

Para os participantes, o chefe da Procuradoria-geral do Ministério Público apresentou exemplos corriqueiros de falta de ética, e da corrupção aberta acompanhada diariamente pelos brasileiros.

E referiu-se à ética dizendo que “o grande dilema é querer, poder e fazer”, Alfredo Gaspar falou de princípios da sociedade contemporânea e concluiu a palestra sobre ética repassando o seguinte entendimento. “Existe sobre a ética, uma porção de frase bonitas e de efeitos, preferi me desprender de todas e dizer que precisamos ter os próprios conceitos, que somos brasileiros, e com orgulho, podemos e temos a capacidade de mostrar às novas gerações que homens e mulheres desta nação resolveram dizer que não somos heróis, nem bandidos, somos brasileiros que amamos nossa pátria e queremos corrigir os rumos”.

O evento contou com a participação do governador de alagoas, Renan Filho, de outras autoridades estaduais como o secretário da Fazenda, George Santoro, e do Planejamento, Gestão e Patrimônio, Fabrício Marques; além do o coordenador-geral do Encat, Eudaldo Almeida de Jesus, do presidente do Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial, Edson Vismona; do presidente do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ/AL), desembargador Otávio Praxedes entre outras.

Pesquisa ETCO/Datafolha é tema de debate no Jornal da Cultura

Assista à matéria e ao debate promovido pelo Jornal da Cultura sobre os resultados da pesquisa ETCO/Datafolha que avaliou a percepção dos jovens brasileiros em relação à Ética.

A matéria foi ao ar no Jornal da Cultura, 2ª edição, no dia 28/07.

 

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Precisamos falar sobre ética

Por Claudia Rondon*

O Brasil vive uma situação inédita, provocada pela profunda crise que envolve valores éticos e morais. Nós, brasileiros, temos de encarar a dimensão da corrupção. Sempre soubemos que havia corrupção nas esferas do poder, mas a Operação Lava Jato trouxe à luz detalhes e números nunca imaginados. O tamanho e a constância da corrupção nos deixam indignados. Temos de transformar essa indignação em oportunidade, para que o País mude, de uma vez por todas.

A mudança virá com as novas gerações. Mas o que os jovens de hoje pensam sobre corrupção e ética? Para ter essa resposta, o Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (ETCO), cliente da RP1, encomendou uma pesquisa ao Datafolha. A pesquisa, qualitativa e quantitativa, foi feita com 1.048 jovens entre 14 e 24 anos em 130 municípios de todo o País.

A conclusão: 90% dos jovens consideram a sociedade brasileira pouco ou nada ética. Reproduzindo o que tradicionalmente fazemos, os jovens atribuem os desvios de conduta aos outros. Quando avaliam a si próprios, o índice muda: 63% dizem que são éticos na maioria das vezes em seu dia a dia. A família tem imagem melhor, embora numa cena ainda problemática: 57% consideram os familiares pouco ou nada éticos. Já os amigos são vistos como pouco ou nada éticos por 74% dos entrevistados.

Preocupante. Mais preocupante ainda é a descrença na mudança. Para 56%, não importa o que se faça, a sociedade sempre será antiética. A maioria também tem uma visão flexível e elástica da ética: 55% admitem que é impossível ser ético o tempo todo. Mais. Dizem que podem agir de forma antiética se não prejudicarem ninguém.

Há esperança quando se fala de profissões. A pesquisa pediu avaliação de 0 a 10 em relação a dez categorias profissionais. Bombeiros são considerados os mais éticos (nota 8,7), seguidos por professores (8,5). Em último lugar, por óbvio, estão os políticos (2,2).

Também há esperança quando se fala em discutir o tema. Para 87% dos jovens, conversar sobre isso com a família e amigos faria a sociedade brasileira se tornar mais ética.

Justamente para discutir mais a questão, o ETCO desenvolveu uma plataforma online que servirá de apoio para que professores abordem o tema em sala de aula (www.eticaparajovens.com.br). É isso mesmo. Precisamos falar sobre ética. Em casa, na escola, no trabalho, na sociedade.

Claudia Rondon é presidente do Conselho Diretivo da Associação Brasileira das Agências de Comunicação (Abracom) e presidente e fundadora da RP1 Comunicação

A ética segundo os jovens

Por Gustavo Ungaro

“A gente não quer só comida.  A gente quer a vida como a vida quer.”

Comida, Titãs

Neste imenso e imundo lamaçal da crise ética nacional, como será que a juventude está vendo a ética dos dias atuais?
Quais as condutas consideradas contrárias ao interesse da coletividade, como são percebidos os comportamentos e como andam as expectativas daqueles que estão entrando na maturidade? E o que se entende por “ética” em tempos de modernidade líquida e pós-verdade?

Interessante pesquisa Datafolha realizada pelo Instituto ETCO acaba de colher as respostas de mais de mil brasileiros com idades entre 14 e 24 anos: para eles, ética significa respeito ao próximo (22%), ser educado (12%), agir com conduta moral (5%), bom caráter (4%) e honestidade (4%).

O resultado lembra o sentido dos velhos brocardos jurídicos presentes nos cursos de Direito, recitados em latim: alterum non laedere (não prejudicar ao outro), honeste vivere (viver honestamente), suum Cuja que tribuere (dar a cada um o que lhe seja devido).

90% dos jovens acham a sociedade brasileira pouco ou nada ética; 74% consideram seus amigos pouco ou nada éticos; 57% avaliam que sua própria família é pouco ou nada ética, e o mesmo percentual, 57%, considera a si mesmo como pouco ou nada ético.

Sobre as profissões mais associadas à ética, despontam os bombeiros e os professores, figurando os políticos como os mais distantes da conduta valorizada. E o que fazer para tornar a sociedade brasileira mais ética? As respostas mais repetidas foram conversar sobre ética com amigos e familiares, compreender o que seja público e do interesse de todos, pensar mais nos outros e não apenas nos próprios interesses.

Para estimular a reflexão sobre as consequências do comportamento humano e a importância dos princípios e valores norteadores, acaba de ser lançado, com apoio da Ouvidoria Geral do Estado e da Secretaria da Educação, o site www.eticaparajovens.com.br, com sugestões de atividades práticas para serem realizadas em salas de aula, de modo a estimular a reflexão, o debate e a ação, com vistas a contribuir para que cada um possa ser a mudança que espera no outro, transformando a realidade e impulsionando, cada qual no seu âmbito de atuação, um outro mundo possível, num futuro que se quer próximo.

* Gustavo Ungaro é Bacharel e Mestre em Direito pela USP, Professor de Ensino Superior, é Ouvidor Geral do Estado de São Paulo

Uma sociedade sem ética

Por Luiz Gonzaga Bertelli, presidente do CIEE/SP

É preocupante o resultado de uma recente pesquisa: para 90% dos jovens de 14 a 24 anos, a sociedade brasileira é pouco ou nada ética. Nesse universo, não entram apenas os políticos o que seria um efeito previsível diante da enxurrada de denúncias e processos contra eles. Os próprios familiares pertencem à categoria dos pouco ou nada éticos na opinião de 57% dos entrevistados, o mesmo acontecendo com os amigos, para 74%. E como eles veem a si mesmos? Se 63% dizem que buscam ter conduta correta no dia a dia e apenas 8% acreditam ser possível se ético o tempo todo.

Saindo do campo conceitual e caindo num questionamento mais objetivo, a firmeza se reduz. Enquanto mais de 50% concordam que, numa compra, é importante verificar se a empresa paga impostos e respeita o meio ambiente, 52% admitem comprar produtos piratas por serem mais baratos e, pior, confiam que, com isso, não prejudicam ninguém, esquecendo que parte dos tributos custeiam serviços públicos.

Entre os aspectos lamentáveis da pesquisa, realizada pelo Instituto Brasileiro de Etica Concorrencial (Etco) e o Datafolha, destacam-se três percepções negativas: 56% acham que, não importa o esforço, a sociedade sempre será antiética; é impossível ser ético o tempo todo (55%); e, para ganhar dinheiro, nem sempre é possível ser ético.

O estudo, entretanto, aponta um caminho para mudar essa visão sobre a ética, cuja valorização será um dos fatores que impedirá a repetição do triste desfile de empresários, executivos, governantes, políticos, funcionários de todos os escalões arrastados aos tribunais, sob a acusação de apropriação de dinheiro público. Acontece que, no quesito sobre profissionais com melhor imagem entre os jovens, a lista é encabeçada pelos bombeiros (nota 8,7), seguidos pelos professores (8,5). Essa percepção lança sobre os docentes a missão de moldar, com a prática e a teoria, os corações e as mentes das novas gerações. Aliás, tarefa não exclusiva deles, mas, sim, de todos os brasileiros responsáveis e desejosos de construir um país mais justo e mais próspero.

 

Artigo publicado no jornal Diário de São Paulo, em 13/07/2017