Apreensão de mercadorias do Paraguai na BR-153 cresce

Por ETCO
16/06/2010

Autor: Allan de Abreu

Fonte: Diarioweb – São José do Rio Preto/SP – 16/06/2010

Thomaz Vita Neto



 
Policial com mercadorias: eletrônicos dominam apreensões


Cresceram as apreensões de muamba no trecho da rodovia BR-153 que corta a região. Foram 25 ocorrências de janeiro a maio deste ano, contra apenas sete no mesmo período do ano passado, de acordo com a Polícia Rodoviária Federal. Para a corporação, o aumento é decorrente da criação, no fim de 2009, de uma equipe especializada no combate ao contrabando e ao tráfico de drogas. “Antes, o policial sem especialização deixava passar muita coisa. Agora isso acabou. A equipe é treinada para ‘varrer’ o veículo em busca de material ilícito”, diz o inspetor da Polícia Rodoviária José Zanin Júnior.

Além de mais frequentes, as blitze têm se deparado com produtos mais sofisticados – enquanto as apreensões de 2009 se resumiam a maços de cigarro e brinquedos, as deste ano vão de notebooks a celulares, passando por medicamentos. As mercadorias flagradas neste ano – 105 mil maços de cigarro, 100 notebooks, 465 celulares e 300 comprimidos de estimulante sexual – são avaliadas em R$ 300 mil.

Os esconderijos são os mais improváveis. Em 23 de maio, a Polícia Rodoviária Federal encontrou 450 celulares escondidos dentro do tanque de combustível de uma caminhonete S-10. “Os artifícios desses grupos são os mais variados possíveis”, diz o inspetor Edson Varanda. A corporação não informou o número de integrantes do grupo especializado, denominado Equipe Tática.

“Os contrabandistas têm investido em eletroeletrônicos porque o valor agregado é maior e são mais fáceis de esconder. Maços de cigarro ocupam muito espaço, e dão na cara”, diz Pérsio de Jesus Júnior, chefe da Força Especial de Repressão Aduaneira (Fera), grupo criado neste ano pela Receita Federal para combater o contrabando e o descaminho na região.

Em Rio Preto, segundo Pérsio, lojas “esquentam” os computadores e celulares com notas fiscais frias. “Como a nota não discrimina o número de série do computador, com um papel é possível vender várias máquinas”, diz o funcionário da Receita.

Ganha-pão


Apesar da fiscalização mais intensa neste ano, os sacoleiros arriscam. “Tenho vários amigos que trazem computador e celular de Ciudad del Este (Paraguai)”, diz O.C., sacoleira de Rio Preto que compra perfumes no país vizinho. “Dá muito medo da polícia, mas é o nosso ganha-pão.”

Rio Preto é destino final de parte do contrabando – a Polícia Rodoviária não soube estimar percentuais. Mas também é rota de passagem para sacoleiros de Minas Gerais, Goiás e Bahia. “São vários pequenos grupos com interesses em diversos tipos de mercadoria. Geralmente são donos de loja que se arriscam até o Paraguai”, diz Zanin Júnior.


Ninguém sabe estimar o volume de mercadorias que passa pela Transbrasiliana. Segundo a Receita Federal, tem sido cada vez mais comum trazer do Paraguai receptores de TV a cabo e amplificadores de som. “Essa é a moda atualmente entre os sacoleiros”, diz Pérsio.

Processo


Todo o material apreendido é encaminhado para a Receita. Produtos como cigarro, remédios e óculos são destruídos. Já computadores, celulares e jogos eletrônios são doados, incorporados pela Receita ou leiloados. Prisões em flagrante são raras, mas o sacoleiro responde a processo na Justiça Federal por contrabando (quando traz mercadorias cuja importação é proibida, como cigarros e remédios) ou descaminho (quando se importa produto sem o devido pagamento de impostos). A pena varia de um a quatro anos de prisão.