Pesquisa revela: trabalhador não sabe como se formalizar

Estudo realizado pelo SPC Brasil e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas mostra que metade dos trabalhadores informais brasileiros não sabe o que fazer para regularizar o próprio negócio.

Aplicada entre trabalhadores informais de todas as capitais brasileiras, a pesquisa, recentemente publicada, mostra que 49% dos entrevistados não sabem o que fazer para regularizar o próprio negócio. O dado, preocupante, revela que as medidas adotadas pelo governo para facilitar a formalização do pequeno empreendedor precisam ter maior divulgação.

Realizado com o objetivo de observar o comportamento dos empreendedores que trabalham no mercado informal e identificar os motivos da informalidade, o estudo revelou ainda que 46% dos trabalhadores informais nunca ouviram falar, por exemplo, sobre o Microempreendedor Individual (MEI). Essa modalidade de formalização é destinada a pessoas que faturam até R$ 5 mil por mês, exatamente o perfil de 97% dos comerciantes e prestadores de serviço entrevistados. A pesquisa revelou que os informais ganham, em média, R$ 1.305,00 por mês. Ao todo, 59% trabalham com comércio e 41%, no setor de serviços.

Quando indagados sobre as principais razões para ficar na ilegalidade, as respostas mais frequentes foram o alto custo e a burocracia para abrir um negócio formal. Na avaliação do Presidente da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), Roque Pellizzaro Junior, isso só reforça o dado de que eles realmente desconhecem as ferramentas de regularização.

A pesquisa revela também que três em cada cinco (61%) trabalhadores informais pretendem fazer investimentos no próprio negócio este ano. No entanto, 75% afirmam que, para isso, terão de colocar a mão no próprio bolso, enquanto apenas 14% vão recorrer a bancos ou financeiras. A maioria afirma querer ampliar a atividade, mas não pretende formalizá-la porque diz temer a burocracia, a queda no rendimento e novos custos.

O Gerente Financeiro do SPC Brasil, Flávio Borges, explica que, ao se manter na clandestinidade, o trabalhador informal não consegue crédito em instituições financeiras e perde a oportunidade de ampliar o próprio negócio. “Além disso, eles deixam de ter acesso a benefícios como direito a aposentadoria, auxílio-maternidade, emissão de nota fiscal ou possibilidade de ter um funcionário registrado”, argumenta.

Com os dados em mãos, representantes da CNDL e do SPC Brasil vão apresentar o estudo ao Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), para debater maneiras de intensificar o trabalho de esclarecimento a esses trabalhadores informais. “A ideia é juntar forças e auxiliá-los no excelente trabalho que já prestam à sociedade”, disse Pellizzaro Junior.

Foram ouvidos para a pesquisa 612 empreendedores autônomos informais (sem inscrição no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica) dos setores de comércio e serviços nas 27 capitais brasileiras.

(com informações da Assessoria de Imprensa/SPC Brasil)

 

 

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