Projeto orienta jornalistas na cobertura do contrabando

Oficinas ImprensaA revista Imprensa, principal veículo de comunicação do país voltado para jornalistas, está realizando um importante trabalho para melhorar o nível de informação da sociedade sobre os malefícios do contrabando. Trata-se do projeto Fronteiras Cruzadas, que oferece treinamento gratuito para jornalistas interessados em cobrir o assunto.

O projeto está sendo desenvolvido por meio de dois workshops (em São Paulo, no dia 18 de maio, e em Brasília, no dia 25 de maio) com o premiadíssimo jornalista Mauri König, que é repórter especial da Gazeta do Povo, de Curitiba, e acompanha o problema há mais de duas décadas. A iniciativa inclui também um site na internet criado para ajudar os profissionais a encontrar informações sobre o contrabando e fontes de entrevistas, além de divulgar suas reportagens a respeito da prática. O projeto conta com o apoio do ETCO-Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial.

O primeiro workshop, realizado na Escola Superior de Propaganda e Marketing de São Paulo, atraiu dezenas de jornalistas de diferentes veículos. Convidado a falar na abertura do evento, o presidente do ETCO, Evandro Guimarães, chamou a atenção para o papel da imprensa nessa questão. “Penso que a mídia não dá a devida importância ao problema”, disse. “Por isso, achamos tão importante apoiar um evento como este.”

O presidente do ETCO apresentou aos jornalistas um panorama do problema do contrabando e de outras ilegalidades correlatas, como a falsificação de produtos, a sonegação de impostos e a pirataria. “Muitas vezes, esses problemas são tratados com leniência, como se fossem males menores”, afirmou Guimarães. “Mas a verdade é que sustentam o crime organizado.”

Lucro maior que o de drogas

A abertura teve também palestra do presidente do Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP), Edson Luiz Vismona, que procurou sensibilizar os jornalistas para o prejuízo que as práticas ilegais provocam ao Brasil. “Só o dinheiro que o país deixa de arrecadar de impostos com o contrabando do Paraguai daria para construir 3.800 creches, 21 quilômetros de estradas ou 285 mil casas populares”, comparou.

No workshop, o jornalista Mauri König contou como as quadrilhas atuam: do uso de dinheiro para corromper agentes públicos ao emprego de menores de idade para transportar as mercadorias. Segundo ele, o Paraguai continua sendo a principal porta de entrada de produtos ilegais no país – e entre todos os tipos, o cigarro é o item mais importante, representando 67% do contrabando. “Hoje o crime organizado lucra mais trazendo cigarros ilegalmente do Paraguai do que com o tráfico de cocaína e maconha juntos”, disse.

König mostrou a planilha de custos dos criminosos, que reservam cerca de 20% do faturamento para pagar transporte ilegal e propinas. Citando o estudo O Custo do Contrabando, divulgado há dois meses pelo Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras (Idesf), afirmou que os contrabandistas chegam a lucrar mais de 900% do capital investido, como no caso dos medicamentos. “Cerca de 20% dos medicamentos consumidos no país são contrabandeados”, afirmou. “Ainda assim, existe uma relativização cultural que atribui pouca importância ao crime.”

No encerramento do workshop, König elencou uma série de aspectos do contrabando que podem ser desenvolvidos por meio de reportagens investigativas e convidou os jornalistas a se dedicar mais ao assunto.

O lucro dos contrabandistas

 

Materia contrabando

 

 

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